quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Das cidades invisíveis


Eu moro em Valdrada, mas isso não é verdade. Também não é mentira. Eu moro em Turvo, sul de Santa Catarina, o que também não é mentira, mas que com certeza não é uma verdade. Escolhi Valdrada porque é cidade que se reflete. Ela é cidade invisível, criada pelo Italo Calvino, mas eu me sinto muito mais moradora de lá do que dessa cidade onde moro e não vivo. Não é viver no sonho ou na fantasia, mas escolher onde se quer viver e antes de estar onde vai ser o meu lugar, preferir deixar o ar da minha respiração numa cidade que nem existe de verdade.
Mas acontece que encontrei o mapa das cidades invisíveis, as mesmas que o Italo inventou e pra onde Marco Polo decidiu viajar, conhecer e descrever para o imperador Kublai Khan das belezas ou não desses lugares inventados.
A cidade onde eu moro não é ruim. É tranquila, não tem violência, dá pra dormir com a janela do quarto aberta que ninguém entra... Mas mesmo assim não gosto daqui. Não por ser um lugar pequeno, mas por ser um lugar que não cresce dentro de mim. É a cidade da minha infância e da minha adolescência, não quero que seja da minha vida adulta. E tenho meus motivos, mas nenhum que colocasse aqui explicaria meu sentimento.
Dentro de mim tem uma pergunta que nunca se cala: "Qual será minha Valdrada?".

3 comentários:

Juliana disse...

Quero paranabenizá-la pelo seu talento. Caí meio sem querer no seu blog e me encantei com tuas palavras. Sou grande apreciadora do desse dom da poesia em prosa (com uma certa inveja!), e me comovi com teus textos, lindos.

Juliana Dacoregio disse...

Então você é praticamente minha vizinha... Moro em Criciúma. Mas isso também não é um verdade completa. Moro em algum lugar perdido entre meus rabiscos, meus desejos e minha mente. Falando em rabiscos, estava revirando aqui meus arquivos à procura de poema e vi que tinha salvo um trecho de um texto do seu blog pq me identifiquei naquele momento. O seguinte trecho... E chega um dia que você decide permitir-se. Você decide que vai deixar vir, que vai deixar acontecer, gostar, fazer bem, querer... decide que nem querendo pode decidir e está com coração enchendo de novo.

Então você não sabe se está fazendo bem, se está fazendo mal, pra quem estiver fazendo? Só sabe que está. E então você resolve que está na hora de pensar mais em si mesmo. Que está na hora de deixar se fazer bem. Porque nenhuma dor vai durar pra sempre, e porque mal não se deve fazer nunca.. nem pra si e nem pra ninguém.
Aí no final estava o link do seu blog. Então, aqui estou novamente, totalmente por acaso, mas foi uma boa surpresa reencontrá-la.

Juliana Dacoregio disse...

Olá... Só um detalhe, agora estou neste endereço com o Heresia Loira - http://www.interney.net/blogs/heresialoira/ - e não mais naquele do blogspot. Na verdade quando vc entra no Heresia do blogspot deveria ser automaticamente redirecionada p/ o endereço novo, mas acho que às vezes demora um pouco. Beijão