segunda-feira, setembro 05, 2011
Divisões
quarta-feira, março 16, 2011
Pra ser o que for
segunda-feira, novembro 29, 2010
Escrever
quarta-feira, agosto 18, 2010
Precisar
domingo, julho 04, 2010
Nome
quinta-feira, junho 18, 2009
Das estações do ano
quarta-feira, janeiro 07, 2009
de fazer com a saudade
sexta-feira, agosto 01, 2008
Endereçada a:
quis te escrever essa carta porque sinto falta de te contar muitas coisas. Te conto tudo em pensamento, mas agora começo a me dar conta de que tu não me ouves mais, quando faço silêncio. Às vezes quero te ligar, te encontrar pra tomar café e discutir sobre os livros que eu li e que tu não aprovaste, ou sobre as cidades que conhecemos e que concordamos ou não em alguns pontos. Sobre os bairros e as ruas mais bonitas... enfim. Essas coisas que fazíamos religiosamente de tempos em tempos e que agora já não fazemos mais.
De qualquer maneira, meu querido amigo, quero te contar que muitas coisas têm acontecido. Na verdade eu não sei exatamente o que acontece, mas me pego mergulhada nas ondas que chegam até mim sem escolha. Muitas coisas ao mesmo tempo. Escolhas também. Tu sabes bem como é! Agora, escolhi ficar só com minhas letras unidas em palavras de escrever e ler. De falar, não. Porque como tu já sabes, eu preciso sempre de sentidos e nem sempre os sons fazem sentido pra mim. E eu sei que agora tu lembraste do querido Mário Quintana, dizendo genialmente que quem faz sentido é soldado e que, "por isso, Mathilde, não se preocupe com os sentidos e nem com as direções". Sinto falta da tua esperteza e me pergunto pra onde ela pode ter ido. Sabe-se lá, não é? Deve ter ido dar algum sentido ou direção pra alguma outra cabeça cheia de nós. E veja só, acaba por tudo ser como sempre foi.
Eu tenho cantado também. Canto e sorrio muito. Me faz bem.
Também continuo com as caretas matutinas. Maior divertimento fazer caretas e sorrir pro espelho logo pela manhã. Tu continuas sorrindo, não é? É importante manter sempre teu sorriso alegre. Ele ilumina as pessoas que têm a ventura de te presenciar todos os dias. Eu continuo sorrindo pra mim e pra ti, pelas manhãs. Porque me olho no espelho e te vejo refletindo, nas minhas saudades.
Para me despedir não farei nenhuma recomendação. Eu sei que tu te cuidas bem sozinho e que a tua mãe te faz sempre todas as recomendações necessárias. Só te peço pra que me escreva contando sobre tudo o que acontece por aí.
E claro, não sei me despedir. Só te deixo um beijo.
Com carinho,
Mathilde.
domingo, junho 22, 2008
Apelo
sábado, junho 21, 2008
Algumas coisas irritam
Tu conseguiu até me deixar irritada, sabia? Essas tuas faltas de atenção e teus excessos de sumissos me cansavam. E sem falar das esperas... que sempre me frustavam, mas que no fundo, eu tinha esperança de que fossem dar certo, de que tu virias e.
Durante um tempo, não sei quanto, já que aprendi que tempo não se conta, sempre quando estava perto de chegar na minha casa, eu imaginava que teu carro estaria estacionado no meio fio e que tu estarias me esperando com um abraço pra me vestir.
Sempre frustrados meus sonhos de te ver assim, quase de surpresa. Não fosse a espera que eu guardava dentro de mim e toda a paciência e calma que eu aprendi por ti. Porque, veja bem, tu me ensinaste mais do que imagina. E essa coisa toda é muito piegas e a gente fica se repetindo quando quer falar sobre alguma coisa que passou e que não volta, porque não quisemos ficar, ou ir.
Tu não quiseste vir, não é? Agora me escuta, já que é só o que tu podes fazer.
Havia uma linha imaginária. Um círculo em volta de ti, que eu desenhei. Queria te proteger das coisas feias que existem por aí. Não queria deixar que tu visses as coisas sujas e podres do mundo paralelo a esse, que criei pra ti.
É muito estranho, pra mim, pensar que você tenha me deixado com um castelo quase todo costruído. Acho que faltaram as portas. Se eu tivesse demorado menos esculpindo na madeira, um desenho de sonhos, acho que tu não terias saído.
Tinha grades nas janelas, mas mesmo assim ficava fácil pra ti olhar pro céu, não é mesmo?
Não adianta ficar me olhando com essa cara de quem tem dó. Não tenha dó e nem pena de mim. Tudo o que fiz foi com amor. E de amor não se tem pena, só orgulho.
Também, não acho que tu tenhas largado tudo pra que o castelo quebrasse ou algo do tipo. Não posso decifrar teus pensamentos. Ainda te acho grande demais pra eu poder ler teus significados, mas, entendo quando me falaste do orgulho. Agora entendo.
Não! Tu não pode falar. Só tens que me escutar, porque esse mundo todo quem criou fui eu.
Vou te dizer que entendo e sinto. E que tenho uma pilha e duas montanhas de carinho guardadas no meu guarda-roupas, misturada às coisas que escrevi, recortei e colei por ti.
Não fale nada. Preciso ir.
(um beijo de despedida - as costas - o jeito de caminhar - o jeito de olhar pra trás, ou não)
quarta-feira, abril 23, 2008
Converso com você quando falo sozinha
Me dá a mão? Quero te mostrar o verde dos caminhos amarelos.
Conta estrelas comigo? Eu sei que são muitas e que não poderão ser contadas numa só noite, mas te dou todo o tempo que quiser, quantas noites forem necessárias. Se acabarem as estrelas dessa nossa galáxia, invento outra, pra gente poder se perder, ou se achar, se melhor for.
Te acompanho em canções e posso até cantar pra ti. Mas tem que ser baixinho, não quero acordar os vizinhos. Prefiro que seja uma canção de ninar, pode ser?
Quero fazer perguntas, mas não preciso de todas as respostas. Quero te contar histórias e dizer que fico inventando motivos pra te mandar carinho.
Mas isso tudo já não é mais novidade, não é?
Tudo bem, eu espero.
quarta-feira, abril 09, 2008
Azul que te sei brilhando
- Alô...
- Desculpe a intromissão, seu moço. Mas preciso te saber.
- Oi?
- É... te preciso saber... me fala alguma coisa de ti, por favor?
- Er... quem ta falando?
- E o que importa, seu moço? Só importa o que quero saber.
- Mas como eu posso saber o que você quer? Não entendo.
- E vê se precisa, lá, entender? Me fala um pouco...
- Falar de quê, criatura? Eu não entendo o que você quer dizer... eu nem sei quem é você.
- Precisa não, seu moço. Precisa saber de nada, não... eu sei que ainda é meio cedo pra dizer que eu sou a Maria, a Ana, a Rosa, a Mathilde... Me fala aí, vai, qualquer coisa. Pode até me chamar do nome que quiser... não tem importância.
- Tá bem, Maria. Só não entendo o que é.
- Me diz... diz que você está bem, que tem se alimentado direitinho e que quando sente frio, a noite, puxa uma cobertinha a mais, ou que tem escovado os dentes pelo menos três vezes ao dia e essas coisas...
- Hum... te digo que sim pra tudo o que me perguntou.
- Onde você está?
- Na minha casa, ué. Você não ligou pra cá?
- Liguei... mas, tem alguma janela aberta?
- Olha, Maria, Ana ou sei lá o quê... você está me deixando com medo.
- Ah... medo é bom, às vezes... medo solta aquela coisa chamada adrelina... a gente fica mais pilhado do que já é, sabia?
- Sa-b-b-bia...
- Não fique com medo não... só quero te contar uma coisa, já que você não me quer contar nada.
- O quê?
- Primeiro me diz se tem janela aberta aí. Aqui tem.
- Tá bem, tem janela aberta aqui, sim.
- Você ta vendo os espiões?
- Olha, não sei quem você é, mas essa brincadeira já está passando dos limites. Vou desligar!
- Não! Espera!
- Fala...
- Tem espiões aqui também... estão olhando pela janela e acho que de onde eles estão, eles conseguem te ver também.
- Ah, tá bom. Eu nem sei onde você está. Quem são e onde estão esses espiões?
- Tem milhares, moço. Estão grudados num azul.
- Ah... você está de sacanagem, né?
- Não!! Pode olhar... vá olhar pro céu. Eu mandei as estrelas olharem pra você enquanto eu não te posso ver.
- Quem ta falando, hein?
Tu tu tu tu tu
- Alô? Maria? Alô! Ana? Mathilde? Rosa? Maria? Alô!!
terça-feira, dezembro 04, 2007
Do assassinato da curiosidade
Das palavras ouvidas e das lidas que passaram por aqui, guardei. São minhas. Mas viu? Vou ficar só com as palavras... teu gosto não era assim tão bom quanto esperava.
Cuida de ti aí. És viciante demais pra deixar pessoas não preparadas provarem. Se gostar, é pra sempre, chega até a doer se não tiver... se não, acontece como aqui, onde se mata a curiosidade e toda a graça vai embora.
Só queria falar, mesmo que tu não escutes.
Mas apenas uma coisa eu não entendi: porque será que ainda me perturbas? Tá, não vou querer saber! Fica aí.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Pra levar por dentro
Ah!! Claro, aí tu me diz que não sabe onde foi que eu me larguei. Foi aí, poxa. Me deitei no teu ombro e me deixei ficar.
- Dá pra calar essa boca e escutar quando eu falo? Pelo menos olha pra mim quando eu falo contigo... será que custa tanto largar um pouco dessa tua vida pra escutar o que eu tenho pra dizer? É importante... - Me solta!! Deixa eu terminar...
- Quê? - Não é assim... só queria dizer que lembro do teu sorriso sempre... daquela risada misturada... Porque se tu soubesses o quanto me fez bem...
- Senti com saudades... sabia?
- Claro que sabia... tu sempre sabe... mas essa mania de ser mais fechado e mais calado que eu... tu consegue fingir que não sabe de nada, nunca.
- E até quando? - Me solta, poxa... agora não é a hora do abraço... e também tô cansada de abraços-com-dia-e-hora-marcados. As coisas deveriam ser mais naturais, tu não achas?
- Eu sei!! Mas eu quero. Eu gosto. (a hora do abraço é agora, né?) - Não me solta agora... segura mais um pouquinho, não sei quando vou te ver de novo.
- Também!
- Claro, eu ligo... me liga também? - Vou... sempre!
- Espera... posso guardar esse sorriso pra mim? - Deixo... pode levar também. - Também pode.
(Vou te guardar com os sorrisos dentro do meu abraço, tá? Me leva junto também, eu deixo. Eu quero. ...)