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segunda-feira, setembro 05, 2011

Divisões

É preciso saber dividir. Entusiasmar-se com um pedaço de bolo, com um brigadeirinho de colher. É sorrir quando as mãos dançam no vento do carro acelerando. Brincar com os pingos de água no chuveiro, com a espuma do banho. Tocar piano imaginário na sua perna, ritmar com as mãos juntas, dançar com os dedos. É sentar na praia, respirar a maresia, falar nada ou falar muito e sobre qualquer coisa. É saber a hora de parar mesmo querendo continuar. É aprender a ser pai ou mãe de gente grande e estar disposto a ouvir um "não" quando se for ajudar. É deixar-se sumir pra respeitar espaço, porque até o espaço deve ser dividido. É fazer carinho na palma da mão e no pulso. Guardar o cheiro no travesseiro, sonhar acordado e dividir planos. Mostrar fotografias, músicas, ilustrações, quadrinhos. É ensinar e aprender uma língua nova e inventar, porque não, uma língua ainda mais nova e diferente. Dividir palavras, choros, sorrisos, família, amigos. Os brinquedos e mais qualquer coisa.


"É preciso estar distraído e não esperar absolutamente nada. Não há nada a ser esperado, nem desesperado. (CFA)"

quarta-feira, março 16, 2011

Pra ser o que for

Só quero ser feliz. Não me rotulem. Nem a mim e nem ao meu coração. Não digam que algo é isso ou aquilo. Que algo vai ou que fica ou que foge. Não digam nada. Me deixem ser feliz sem dar nome pra felicidade. Me façam o favor de respeitar o meu sentido sem nome. Me deixem respirar. Escolher. Ir. Não ir. Me deixem. Não roubem meus sentidos. Não roubem a minha liberdade. Me deixem criar o que eu quiser dentro ou fora de mim. Me deixem sorrir. Me deixem chorar. Gargalhar. Suspirar. Me deixem ser. Me deixem fazer. Me permitam ser o que eu quiser ser. Me deixem ir pra onde eu quiser ir. Se for pra dentro, me deixem vir. Me soltem. Me deixem livre pra fazer o que for. Pra fazer nada. Me deixem ser Gabriela, Maria, Dolores. Me deixem ser aquilo que for pra ser. Me deixem cantar. Ler. Escrever. Me deixem andar sem nome pra nada. Me deixem seguir o caminho que for. Eu estou livre de mim. Eu estou comigo. Eu fico assim. Fico feliz e não. Fico ansiosa. Me deixem duvidar. Me deixem voar. Me deixem ser quem for.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Escrever

A gente se acha dono do que os outros escrevem. Tem poeta que escreve tudo inspirado no que eu penso. Ou eu sou prepotente e me acho ser dona do que eles escrevem ou, de alguma forma, o que eles pensam também passa pela minha cabeça. Será que quem escreve tem a mente ligada com todos os escritores também? Será que existe telepatia entre os escritores e poetas?
Toda vez que leio algo que me cabe não hesito em usar e fazer as palavras morarem em mim. Alguns versos alugam meu peito por grandes temporadas. Nem me consultam se podem se mudar. Eles entram e ficam ecoando o tempo todo dentro do meu peito. Tem verso que até me tira o sossego. Tem outros que me inquietam até encontrar o significado dentro de mim. Sei lá, também devo morar nesse lugar dos pensamentos dos poetas.
Escrever é ação muito responsável. Você não usa só o que vem de dentro de você, mas pega emprestado os sentimentos dos outros também. É inevitável. Todas as palavras que se juntam são algo interno, mas que ecoa externamente e dentro de outras pessoas também. Nenhum poeta ou escritor pode fugir dessa sina. Sentir e escrever com a responsabilidade de seus versos também morarem no peito de outro alguém.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Precisar

Parece que eu preciso de coisas que nem nome sei dar. Até coisas que sei. Cortinas, luminárias, luas, estrelas, sóis. Do que mais eu preciso pra preencher a parte vazia do meu coração? Fotografias, sons, sorrisos, palavras, poemas. Que mais? Uma mão, um abraço, um beijo e um tchau, uma certeza e um talvez... tapetes, travesseiros, almofadas. Uma pilha de risadas e sentimentos matutinos, cheios de luz do sol nascendo e entrando no meu quarto. Preciso de uma noite de conversa pra ter dias de sol silenciosos e entendíveis. Preciso de muitas coisas e preciso de você. Vou entender teu talvez, tua grosseria. Mas vou torcer pra que não seja assim, só pra que seja bom. Quantas coisas mais eu preciso pra preencher esse vazio? Se eu for, você vai comigo? Preciso de tempo e preciso de.

domingo, julho 04, 2010

Nome

Sonhei que falando contigo chamava teu nome e me soava tão doce. Você que continua me fazendo bem e morando no loteamento do meu coração. Seus olhos de estrela ainda brilham nas noites do meu céu.

quinta-feira, junho 18, 2009

Das estações do ano

Mas não fiz questão de levantar cedo da cama porque sentia que precisava sentir o macio dos meus travesseiros e das fronhas de algodão acariciando meu rosto. Pensei quão bom seria se recebesse mais do que carinho de travesseiros e cobertores todos os dias pela manhã, mas não. Recebo carinho por cada estação que passa. No verão tenho sorrisos, abraços de muita gente e bebida que acaricia minha garganta. Depois vem o outono e as despedidas. Acabam-se os abraços de tanta gente e ficam as músicas pra acariciar a saudade e os ouvidos. Aí chega o tempo mais frio com carinho de mãe e pai além risada das irmãs e tudo o que é de família. Brigadeiro de panela geralmente entra nessa época, junto com as gordurinhas extras, claro! Na primavera é tempo de mandar amor de mentira embora. Foi sempre assim. Amor que nascia, quem sabe num outono, crescia naquele frio de inverno e ia embora com os perfumes sonolentos da primavera. Nem me importava, porque de tudo o que preciso das estações guardo nos meus sorrisos internos e no carinho que trago dentro dos travesseiros junto com os sonhos de ser bem maior.
Mas sabe bem que não me interessa entender direito cada estação, porque tenho sede de viver e buscar e aprender e ver coisas diferentes e novas pros meus olhos. Cada ciclo um novo começo e em cada começo mais surpresas e mais ânsias e mais, e mais, e mais...

quarta-feira, janeiro 07, 2009

de fazer com a saudade

Se eu te disser que estou com saudade, nem verdade vai ser. Saudade nem se diz, só se sente e se mata. Mas você me proíbe até de sentir e isso me dói. Ai, essas dores que tu me causa. Me diz pra quê? - Pra nada - Porque tu estás aí, com tuas afeições, teus afetos, tuas brincadeiras e risadas tão roucas e gostosas de ouvir. Pare de ser falta e vazio em mim, por favor!? Queria mesmo fazer esse apelo.
E se acaso você não existisse? Será que as coisas se tornariam mais fáceis? Será que você seria outra pessoa e eu, alguém diferente do que sou agora? Não por ti, já que quem eu sou eu sou por mim, mas por tudo o que me passa nesses dias em que fico assim, meio oca, meio cheia de ruas sem saída, meio. Fico pela metade, parece. Te procuro em todos os cantos. Quero te ligar, mas preciso te dizer que não, que sempre não. Se tu não existisses eu não teria essa saudade idiota que me machuca tanto e que tanto me tira o sossego. Te escrevo cartas mentais o tempo todo. Te conto tudo tudo. Divido até bizarrices e os choros de crise existencial. Meu bem, sou mulher. Típica. Cheia de complicaçõezinhas e idiotices feministas.
Mas concluo, não quero que você exista. Vou colocar na minha cabeça que você só foi uma invenção. Um das mais bonitas que já inventei e que custei ter vontade de jogar fora de tanto que me apeguei. Desapareça você e essa saudade inventada.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Endereçada a:

Meu amigo,

quis te escrever essa carta porque sinto falta de te contar muitas coisas. Te conto tudo em pensamento, mas agora começo a me dar conta de que tu não me ouves mais, quando faço silêncio. Às vezes quero te ligar, te encontrar pra tomar café e discutir sobre os livros que eu li e que tu não aprovaste, ou sobre as cidades que conhecemos e que concordamos ou não em alguns pontos. Sobre os bairros e as ruas mais bonitas... enfim. Essas coisas que fazíamos religiosamente de tempos em tempos e que agora já não fazemos mais.
De qualquer maneira, meu querido amigo, quero te contar que muitas coisas têm acontecido. Na verdade eu não sei exatamente o que acontece, mas me pego mergulhada nas ondas que chegam até mim sem escolha. Muitas coisas ao mesmo tempo. Escolhas também. Tu sabes bem como é! Agora, escolhi ficar só com minhas letras unidas em palavras de escrever e ler. De falar, não. Porque como tu já sabes, eu preciso sempre de sentidos e nem sempre os sons fazem sentido pra mim. E eu sei que agora tu lembraste do querido Mário Quintana, dizendo genialmente que quem faz sentido é soldado e que, "por isso, Mathilde, não se preocupe com os sentidos e nem com as direções". Sinto falta da tua esperteza e me pergunto pra onde ela pode ter ido. Sabe-se lá, não é? Deve ter ido dar algum sentido ou direção pra alguma outra cabeça cheia de nós. E veja só, acaba por tudo ser como sempre foi.
Eu tenho cantado também. Canto e sorrio muito. Me faz bem.
Também continuo com as caretas matutinas. Maior divertimento fazer caretas e sorrir pro espelho logo pela manhã. Tu continuas sorrindo, não é? É importante manter sempre teu sorriso alegre. Ele ilumina as pessoas que têm a ventura de te presenciar todos os dias. Eu continuo sorrindo pra mim e pra ti, pelas manhãs. Porque me olho no espelho e te vejo refletindo, nas minhas saudades.
Para me despedir não farei nenhuma recomendação. Eu sei que tu te cuidas bem sozinho e que a tua mãe te faz sempre todas as recomendações necessárias. Só te peço pra que me escreva contando sobre tudo o que acontece por aí.
E claro, não sei me despedir. Só te deixo um beijo.

Com carinho,
Mathilde.

domingo, junho 22, 2008

Apelo

Se me ensinares novas palavras, quem sabe, eu volte. Invente, me reinvente. Me refaça e me reconquiste. Traga-me as tardes que nos faltaram, com sol ou chuva. Não me convém decidir sobre as tuas escolhas. Me deixe datas comemoradas e comemoráveis dentro de um punhado soprado de poeira transparente. Nuble meus olhos com seus pedidos de socorro que quase já não mais escuto. Me traga novas palavras e novas fórmulas de usá-las. Muito obrigada por me ter ensinado a deixar qualquer coisa que não fosse minha, assim, de lado. Por ter jogado pra dentro essas minhas vontades de ir e ir e conhecer. Não sinto teu tato e nem teus olhares. Só tua vóz, que me sussura versos lindos, cheios de malícia e encanto. Me ensine novas palavras, que só assim eu volto e te reinvento.

sábado, junho 21, 2008

Algumas coisas irritam

Vem cá. Senta aqui do meu lado e me escuta com bastante atenção, porque só vou te explicar uma vez e prometo que não vai ser difícil de entender. Vou usar somente palavras e expressões que você já conhece.
Tu conseguiu até me deixar irritada, sabia? Essas tuas faltas de atenção e teus excessos de sumissos me cansavam. E sem falar das esperas... que sempre me frustavam, mas que no fundo, eu tinha esperança de que fossem dar certo, de que tu virias e.
Durante um tempo, não sei quanto, já que aprendi que tempo não se conta, sempre quando estava perto de chegar na minha casa, eu imaginava que teu carro estaria estacionado no meio fio e que tu estarias me esperando com um abraço pra me vestir.
Sempre frustrados meus sonhos de te ver assim, quase de surpresa. Não fosse a espera que eu guardava dentro de mim e toda a paciência e calma que eu aprendi por ti. Porque, veja bem, tu me ensinaste mais do que imagina. E essa coisa toda é muito piegas e a gente fica se repetindo quando quer falar sobre alguma coisa que passou e que não volta, porque não quisemos ficar, ou ir.
Tu não quiseste vir, não é? Agora me escuta, já que é só o que tu podes fazer.
Havia uma linha imaginária. Um círculo em volta de ti, que eu desenhei. Queria te proteger das coisas feias que existem por aí. Não queria deixar que tu visses as coisas sujas e podres do mundo paralelo a esse, que criei pra ti.
É muito estranho, pra mim, pensar que você tenha me deixado com um castelo quase todo costruído. Acho que faltaram as portas. Se eu tivesse demorado menos esculpindo na madeira, um desenho de sonhos, acho que tu não terias saído.
Tinha grades nas janelas, mas mesmo assim ficava fácil pra ti olhar pro céu, não é mesmo?
Não adianta ficar me olhando com essa cara de quem tem dó. Não tenha dó e nem pena de mim. Tudo o que fiz foi com amor. E de amor não se tem pena, só orgulho.
Também, não acho que tu tenhas largado tudo pra que o castelo quebrasse ou algo do tipo. Não posso decifrar teus pensamentos. Ainda te acho grande demais pra eu poder ler teus significados, mas, entendo quando me falaste do orgulho. Agora entendo.
Não! Tu não pode falar. Só tens que me escutar, porque esse mundo todo quem criou fui eu.
Vou te dizer que entendo e sinto. E que tenho uma pilha e duas montanhas de carinho guardadas no meu guarda-roupas, misturada às coisas que escrevi, recortei e colei por ti.
Não fale nada. Preciso ir.

(um beijo de despedida - as costas - o jeito de caminhar - o jeito de olhar pra trás, ou não)

quarta-feira, abril 23, 2008

Converso com você quando falo sozinha

(Um sofá. Duas pessoas. O menino segura uma almofada e a menina só olha, só olha...)

Fico querendo fazer silêncio, já que nem sei se preciso de muitas palavras. Não sei entender, só tenho vontade de olhar, de observar. Quero cuidar, também. Fico fazendo mil homenagens escondidas, querendo mostrar todas as cores do mundo. Fico querendo segurar no abraço e mesmo assim fazer sentir livre.

Me dá a mão? Quero te mostrar o verde dos caminhos amarelos.
Conta estrelas comigo? Eu sei que são muitas e que não poderão ser contadas numa só noite, mas te dou todo o tempo que quiser, quantas noites forem necessárias. Se acabarem as estrelas dessa nossa galáxia, invento outra, pra gente poder se perder, ou se achar, se melhor for.

Te acompanho em canções e posso até cantar pra ti. Mas tem que ser baixinho, não quero acordar os vizinhos. Prefiro que seja uma canção de ninar, pode ser?

Quero fazer perguntas, mas não preciso de todas as respostas. Quero te contar histórias e dizer que fico inventando motivos pra te mandar carinho.

Mas isso tudo já não é mais novidade, não é?

Tudo bem, eu espero.

quarta-feira, abril 09, 2008

Azul que te sei brilhando

- Alô...

- Desculpe a intromissão, seu moço. Mas preciso te saber.

- Oi?

- É... te preciso saber... me fala alguma coisa de ti, por favor?

- Er... quem ta falando?

- E o que importa, seu moço? Só importa o que quero saber.

- Mas como eu posso saber o que você quer? Não entendo.

- E vê se precisa, lá, entender? Me fala um pouco...

- Falar de quê, criatura? Eu não entendo o que você quer dizer... eu nem sei quem é você.

- Precisa não, seu moço. Precisa saber de nada, não... eu sei que ainda é meio cedo pra dizer que eu sou a Maria, a Ana, a Rosa, a Mathilde... Me fala aí, vai, qualquer coisa. Pode até me chamar do nome que quiser... não tem importância.

- Tá bem, Maria. Só não entendo o que é.

- Me diz... diz que você está bem, que tem se alimentado direitinho e que quando sente frio, a noite, puxa uma cobertinha a mais, ou que tem escovado os dentes pelo menos três vezes ao dia e essas coisas...

- Hum... te digo que sim pra tudo o que me perguntou.

- Onde você está?

- Na minha casa, ué. Você não ligou pra cá?

- Liguei... mas, tem alguma janela aberta?

- Olha, Maria, Ana ou sei lá o quê... você está me deixando com medo.

- Ah... medo é bom, às vezes... medo solta aquela coisa chamada adrelina... a gente fica mais pilhado do que já é, sabia?

- Sa-b-b-bia...

- Não fique com medo não... só quero te contar uma coisa, já que você não me quer contar nada.

- O quê?

- Primeiro me diz se tem janela aberta aí. Aqui tem.

- Tá bem, tem janela aberta aqui, sim.

- Você ta vendo os espiões?

- Olha, não sei quem você é, mas essa brincadeira já está passando dos limites. Vou desligar!

- Não! Espera!

- Fala...

- Tem espiões aqui também... estão olhando pela janela e acho que de onde eles estão, eles conseguem te ver também.

- Ah, tá bom. Eu nem sei onde você está. Quem são e onde estão esses espiões?

- Tem milhares, moço. Estão grudados num azul.

- Ah... você está de sacanagem, né?

- Não!! Pode olhar... vá olhar pro céu. Eu mandei as estrelas olharem pra você enquanto eu não te posso ver.

- Quem ta falando, hein?

Tu tu tu tu tu

- Alô? Maria? Alô! Ana? Mathilde? Rosa? Maria? Alô!!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Do assassinato da curiosidade

Pronto. Fui lá. Matei a curiosidade, te provei. Foi delicioso, extasiante. Cada pedacinho seu com um sabor diferente, como se fosse a bebida púrpura das cartas de baralho da ilha perdida do Curinga. Mas enjoei rápido de todos os sabores. Aliás, eu não gosto de muitas coisas, preferia que fosses menos doce, ou menos ácido... ou menos qualquer coisa... Algo foi demais e eu enjoei.
Das palavras ouvidas e das lidas que passaram por aqui, guardei. São minhas. Mas viu? Vou ficar só com as palavras... teu gosto não era assim tão bom quanto esperava.
Cuida de ti aí. És viciante demais pra deixar pessoas não preparadas provarem. Se gostar, é pra sempre, chega até a doer se não tiver... se não, acontece como aqui, onde se mata a curiosidade e toda a graça vai embora.
Só queria falar, mesmo que tu não escutes.
Mas apenas uma coisa eu não entendi: porque será que ainda me perturbas? Tá, não vou querer saber! Fica aí.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Pra levar por dentro

Droga, aquele teu sorriso não me sai mais da cabeça. Aquele mesmo, aquele sorriso boboca de quem está querendo ser simpático/legal/não grosseiro ao entender que do lado de cá da mesa havia um infinito complexo e fundo pra ti descobrir.
Ah!! Claro, aí tu me diz que não sabe onde foi que eu me larguei. Foi aí, poxa. Me deitei no teu ombro e me deixei ficar.
- Dá pra calar essa boca e escutar quando eu falo? Pelo menos olha pra mim quando eu falo contigo... será que custa tanto largar um pouco dessa tua vida pra escutar o que eu tenho pra dizer? É importante... - Me solta!! Deixa eu terminar...
- Quê? - Não é assim... só queria dizer que lembro do teu sorriso sempre... daquela risada misturada... Porque se tu soubesses o quanto me fez bem...
- Senti com saudades... sabia?
- Claro que sabia... tu sempre sabe... mas essa mania de ser mais fechado e mais calado que eu... tu consegue fingir que não sabe de nada, nunca.
- E até quando? - Me solta, poxa... agora não é a hora do abraço... e também tô cansada de abraços-com-dia-e-hora-marcados. As coisas deveriam ser mais naturais, tu não achas?
- Eu sei!! Mas eu quero. Eu gosto. (a hora do abraço é agora, né?) - Não me solta agora... segura mais um pouquinho, não sei quando vou te ver de novo.
- Também!
- Claro, eu ligo... me liga também? - Vou... sempre!
- Espera... posso guardar esse sorriso pra mim? - Deixo... pode levar também. - Também pode.
(Vou te guardar com os sorrisos dentro do meu abraço, tá? Me leva junto também, eu deixo. Eu quero. ...)