quinta-feira, junho 09, 2011

Pedaços que chamamos de vida

Mergulhei em um espaço de tempo que já passou. Revi amizades, amores. Revi todo tipo de relacionamento que tive. Olhei de perto momentos que passei com as pessoas que gostei. Amigas que saíam comigo só pra caminhar. Outras que brincavam de barbie, de casinha. A turma que brincava de esconder na praia... Relembrei os clubinhos, as brincadeiras de teatro. As brigas, as reaproximações. Depois me deixei ir, pra sabe-se lá um dia voltar ou.
Encontrei com pessoas que já foram embora. Tias avós, avô, amigas... Ganhei abraço do tempo e fiquei feliz por já ter vivido e por ter conhecido e feito parte da vida de tanta gente especial. Todo mundo que passou pela minha vida me fez crescer de certa forma. Até trocando bilhetinhos sobre qualquer besteira na escola. Brincando de balanço e de gangorra no parquinho da igreja. Trocando beijos e carinhos escondidos enquanto me traziam pra casa, caminhando devagar pra ver se o tempo colaborava e nos deixava ficar um minutinho a mais juntos. Sempre tive grandes amores. E com isso eu quero dizer que sempre amei muito também os meus amigos. Festivais de música, bebedeiras na praia. Mergulhei no tempo em que jogava vôlei e que eu não era boa nisso. Lembrei das partes difíceis e que também passaram. Depois de toda tempestade acabei descobrindo alguma coisa maior dentro de mim. Não recebia recompensas externas. Ninguém chegava e dizia: "Gabriela, aqui tem um amor novinho em folha pra você". Eu simplesmente crescia dentro de mim. Fui me tornando uma pessoa mais prática. Aprendi a dar valor pra situação que realmente merece valor... pras pessoas que merecem também. Tem gente que não enxerga nem o valor que tem.
Fui lá pr'aquele tempo em que o mais importante era fazer as tarefas e depois sair pra brincar de "congelar" no meio da estrada. Fui de novo brincar no túnel do terror da Xuxa que fazíamos com bichinhos de pelúcia. Cheguei naquele dia em que brincamos de fazer arco e flecha pro dia do índio e que fizemos casa de barbie em cima de um tapete, na casa em construção. Encontrei com a minha irmã com uns doze anos, me mandando limpar embaixo da árvore de carambola, porque eu só poderia brincar com ela se eu fosse a empregada. Fui pr'aquele dia em que a minha tia avó me deu um rider rosa como forma de me pedir desculpas por ter brigado comigo. Fui pro dia em que fiquei de papo no muro da casa da praia, dando risadas das placas dos carros que passavam. Cheguei no prézinho, no dia em que usei uma tesourinha pra cortar minha franja. Lembrei do dia que cheguei em casa com a franja cortada e dizia que não tinha feito nada. Escutei músicas, revi fotos, reli livro, poesias. Me encontrei com tudo o que tenho dentro de mim. É tudo tão grande e tudo tão bonito que, se pudesse, tiraria essas lembranças de mim e guardaria numa caixinha. Então eu penso que essa caixinha sou eu. Que eu sou quem eu sou por tudo o que me aconteceu. Pelas pessoas que conheci e passaram rápido. Pelas que ficaram. Pelas que vieram, ficaram por um tempo e foram embora. E é tão bom estar nessa viagem que é viver. Quero aproveitar tudo o que eu puder, devagar, sem nenhum atropelo. Eu quero mais é ser feliz!


(Eu tenho um tanto a mais de coisas pra contar. Tenho vontade de divisão e de saber também.)

quinta-feira, maio 26, 2011

Tem gente que parece que é anjo na vida da gente



Conheci a Denise, acho que em 2006, ou 2005... não lembro direito. Mas lembro que foi junto com um monte de gente bacana que conheci virtualmente nessa época. Eu era amiga da Alininha e a Dê sempre ouvia a Line falar de mim e dizia que queria me conhecer porque gostava da minha risada. Vê se pode, a pessoa se identificar com você por causa da risada que você tem.
Um dia eu fui conversar com ela, porque a Line já tinha me dito que ela queria me conhecer, mas a serelepinha era tímida, então tive que dar o primeiro passo pra aproximação.
Conversávamos muito, sobre tudo. Passeios de balão, cartas, bilhetes, chás, comidas, amizades, carinhos... fazíamos competição de bola de chiclete e trocávamos conselhos sérios e bobos. Tudo era bobo de bonito com ela.
Um belo dia de inverno ela resolveu vir me visitar pela primeira vez. Como ela mesma disse, era como confiar e gostar tanto de alguém sem ao menos ter olhado nos olhos.
Eu lembro bem quando ela e a família toda chegaram aqui em casa. Eu estava meio nervosa. Tinha feito um bolo prestígio que, apesar de gostoso ficou duro feito pedra. Mas queria ser agradável com a família dela e acho que esse negócio de receber com um bolo gostoso é um bom modo de demonstrar carinho pra quem vem visitar, né? Enfim... quando eles chegaram eu estava esperando na área na frente da porta da cozinha e ela veio com todo aquele brilho dela, bem feliz porque tinha chego. Lembro bem daquele abraço. O dela e de toda a família.
Aquele dia foi um dos melhores dias que eu tenho lembrança. A gente sentada no chão do meu quarto conversando sobre todas as coisas... eu dando conselhos pra ela sobre o Rafa, porque na época eles ainda não namoravam, mas ele já gostava muito e eu e a Line fazíamos a maior campanha pra Dê poder ficar com ele.
Aquele dia ela e a família dela foram embora, mas eu queria que tivessem ficado. O tio Eduardo perguntou se ela e a Dani queriam dormir aqui em casa, mas a Dê era educada demais pra dizer que queria. Ela tinha um coração de ouro e uma educação exemplar. Depois que eles foram embora eu lembro de ter ficado pensando que poderiam ter ficado, que teria sido muito bom.
No outro ano eles vieram novamente pra Santa Catarina e foram me visitar na minha casa de praia. A gente riu bastante naquela vez. Eu lembro de ter ensinado a Dê a "rir de mongól" (mas não posso explicar isso com palavras... rsrsrs) e nós fomos jogar frescobol e tomar sorvete com bala de dentadura e falar sobre tudo o que gostávamos, fazer planos de um dia morarmos perto, de eu ser a madrinha do casamento dela com o Rafa...
Levamos um dois anos pra nos reencontrarmos. A desculpa era um show da Adriana Partimpim em Curitiba. Comemoração do meu aniversário e do Rafa no final de março. Um dos melhores finais de semana que já passei também. Eu lembro muito bem que ela me falou que queria muito que eu tivesse ido nesse encontro porque ela simplesmente gostava demais de mim. E era recíproco, porque por mais distantes que morássemos, a Denise sempre foi muito presente pra mim. A gente dividia músicas, palavras. Ela musicou alguns textos meus e me roubou muitos e muitos sorrisos com isso. Ela me fazia sentir importante demais. Do mesmo modo como ela era e é importante pra mim.
Tem pessoas que eu gosto muito e que de tanto gostar, penso em ter uma miniatura dela pra mim, pra levar no bolso como se fosse um chaveirinho, sei lá. Pra estar sempre por perto, pra cuidar.
Mas eu sei que pessoas iluminadas como a Denise, às vezes precisam partir pra morar mais pertinho de Deus. A Denise na minha vida era só iluminação. Ela me fazia sentir gente importante, me fazia pensar que escrevia bem e que o que eu fazia de certa forma tinha sentido. Ela ria das minhas piadas mais sem graça e estava sempre disposta pra me dar a amizade dela. A Denise na minha vida era como se fizesse parte da minha família. Todos aqui em casa a conheciam e a adoravam. Assim como toda a família dela.
Eu sei de poucas coisas nessa vida e ainda não consegui entender completamente porque ela tinha que partir tão cedo, nos deixando esse buraco no peito. Mas eu sei que onde quer que ela esteja, (e eu sei que é um lugar lindo, com a Line e com anjos e com árvores de galhos frondosos e muita grama verde) ela está vivendo por nós, que amávamos e que continuamos amando e vivendo pra manter viva a parte dela dentro da gente. Eu me vejo da feliz obrigação de viver as coisas bem vividas. De sentir tudo o que for bom e de oferecer pra ela um pouquinho do meu amor de amiga, de prima, de irmã.
Eu olho pro tempo que pude tê-la por perto na minha vida e me sinto feliz e orgulhosa por Deus ter me permitido conviver e conhecer uma pessoa tão maravilhosa quanto ela.
Se eu pudesse encontrá-la mais uma vez daria um abraço uma beijoca estralada e diria que a amo e que a quero muito bem.
Agora veja só, não sei como terminar esse meu pequeno texto de memórias porque me parece algo que não tem fim. Acho que é porque ela nunca terá fim dentro de mim.

"Denise, eu te amo e eu te quero muito bem!"

terça-feira, maio 24, 2011

Pra mim

"Vem, me faz um carinho, me toque mansinho,
Me conta um segredo, me enche de beijo
Depois vai descansar, outra forma não há
Como eu te valorizo, eu te espero acordar"
(Tiê - Te Valorizo)


Na intensidade do que eu sinto, meu coração bate devagar, em ritmo lento. Pra o que eu sinto não tem pressa e nem preço. Eu fico quietinha, me encolho. Me escondo, fujo. Se fugir não sei quando volto. Sinto medo e confiança ao mesmo tempo. Me parece que o vento sopra a favor do meu coração. Me fecho, não falo mais nada. Fico na minha, cuidando só de mim. Chega uma hora que eu também preciso de cuidado e de carinho. Você, que não sabe cuidar de mim, precisa aprender a andar sozinho. Quem sabe se um dia não anda na minha direção? Quem sabe quando você vir eu não esteja mais? Pode ser que eu tenha seguido o caminho do meu coração sozinho. Ou não. Vai saber? Eu deixo o vento soprar a meu favor e eu me deixo ir pra onde for. Eu sempre vou. Eu não páro e sigo o tempo todo. Perdi as coisas que deixei pra trás, não sei onde foram parar. Parece que nem aconteceram ou nem existiram. Fiquei neutra, novinha em folha. Senti tudo novidade (e tenho sentido tudo assim). Não te imagino como não és. Eu te deixo ser quem tu és porque é assim que tem que ser e é assim que é. Aqui nas batidas ritmadas do meu coração, a dança é leve, quase consigo flutuar quando fecho os olhos. Gosto do barulho gostoso que escuto e sinto. Às vezes deixo minhas mãos dançarem no ar. Eu quero carinhos pra mim. Eu quero cuidados pra mim. Eu quero ser sua flor. Eu te quero pra mim.


"Não vou te acompanhar
Espero que entenda e volte pra cá"

domingo, maio 22, 2011

Você é

Você é a minha terceira vez real. Eu sou (?) a sua também. Você é a minha sétima vez. E aí empatamos. Você serve onde ninguém mais me serviu. "Você é muito gentil, confuso e despenteado". Você me faz rir com cócegas que machucam. E você machuca meu coração quando não sabe como receber o que tenho pra te dar. Poderia te dar um milhão de palavras juntas num potinho. Em troca você faria uma miniatura de você e me daria pra guardar. Levaria esse mini-você pra todo o lugar que eu fosse. Eu cuidaria de você, te colocaria pra dormir, te contaria todas as nóias que também passam pela minha cabeça. Eu te ensinaria a ser leve como ninguém jamais conseguiu ser. Eu te levaria no bolso, cuidaria pra não te deixar cair. Não quero que você seja em partes. Gosto que você seja inteiro, não pela metade.
Você é aquilo que cresce em mim. Não sei bem quem é você. Eu te conheço muito bem. Faria um manual sobre você, mas não quero ensinar pra mais ninguém o jeito certo de chegar dentro de ti. Você é a minha vontade de ficar e minha vontade de sumir. Você me dá vontade de enfrentar o que me dá medo. Você me dá vontade de divisão. Agora você é um pedaço meu andando solto e perdido por aí, não sei por onde. Eu sei onde você está e esse lugar não é longe de dentro de mim.
Ainda te darei palavras em potes, carinhos na colher. Você é um beijo na testa e um abraço escondido em outra pessoa. Você é quem eu quero fazer feliz. Você é reencontro e descoberta. Você é.

(...)

domingo, maio 01, 2011

Soltar as mãos

Passei horas e horas seguidas pensando em milhares de coisas essa noite. Rolei na cama, não consegui dormir, porque a minha cabeça simplesmente não parava de pensar.
Sou muito imaginativa. Vim pra essa vida com essa habilidade incrível de imaginar e desejar o que imagino. Pensei que estaria em algum lugar qualquer com você, que pediria um abraço e que conseguiria te falar tudo o que tenho aqui guardado, querendo sair.
Ainda não tinha parado pra pensar em tudo de uma forma assim, tão junta... sei lá.
Imaginei que poderia te dizer, sem exitar, que a forma que carinho que tenho por ti só cresceu porque eu não me cuidei. Eu deveria ter ficado mais atenta. Mas fui deixando a coisa andar, sei lá pra que rumo... Até que tudo parou e me deixou mais sem rumo nenhum. Não digo isso porque minha vida, minhas coisas, qualquer parte da minha vida esteja perdida. Mas minha cabeça ficou meio aérea. Fiquei pensando que sinto falta da maneira como me dás carinho, como me abraça e me serve. E eu gosto da maneira como tu segura a minha mão e a acaricia. Gosto de ouvir todos os teus problemas e tentar encontrar solução pra todos eles. Eu acabei me perdendo um pouco porque sou muito coração, mas achei que estivesse segura se não dissesse muitas palavras que as pessoas usam pra definir o que acontece entre duas pessoas. Não tinha necessidade de entrar em algo que misturasse outras pessoas além apenas de nós dois. Queria que tudo tivesse continuado como estava porque pra mim, parecia que estava bom. Eu estava em um estado confortável. Estava te dando meu carinho e minha atenção sem esperar nada além de carinho e respeito de volta. Nem eu estava deixando o que tínhamos crescer. Pode ser que eu também estivesse me sabotando pra o que fosse bom, assim como eu vejo que tu faz. Se tu não tivesses conversado comigo naquela segunda-feira e me dito que estavas com medo de onde nossa relação fosse parar, uma hora ou outra, quem te chamaria pra ter essa conversa seria eu. Mas eu não te pediria pra se afastar de mim. Eu te pediria pra me acordar e ver que não precisamos de nenhum rótulo convencional pra termos alguma coisa, assim, de coração. Eu sou muito boba e tu és muito sortudo. Na vida, tu teve a sorte de não precisar estar sozinho pra enfrentar os problemas, qualquer coisa. Tu sempre tiveste a sorte de ter um amor pleno do teu lado. Eu não. Sempre me perdia e tive que enfrentar todos os monstros da minha cabeça sozinha. Não tinha nenhuma mão pra me ajudar a seguir e nenhum abraço pra me segurar se eu caísse. Nesse aspecto eu te invejo um pouco, porque sempre tive que me virar sozinha. E quando eu digo sozinha, é sozinha mesmo. Acho que por isso sempre li muito... encontrava consolos, caminhos dentro de tudo o que eu lia. Agora veja só... que coisa mais clichê, qualquer pessoa pode se encontrar assim em palavras... desse modo eu não sou assim tão "grande coisa", ? Eu não sei fazer muitas coisas que eu gostaria. Queria saber desenhar, ou cantar ou sei lá, até escrever bem. Sei que gosto de escrever, mas me acho repetitiva.
Agora olha o que me passou pela cabeça... que é muito bom eu estar te escrevendo isso tudo porque tu estás vivo e pode ler e sei lá, me dizer o que pensa ou não me dizer nada. Mas tu pode receber isso na plenitude de estar vivo. E como é bom eu estar viva e conseguir colocar pra fora as coisas que eu sinto.
Tu sabes que eu não sou perfeita e que estou bem longe disso. Mas eu sei que tenho um coração bom e que ele não quer machucar ninguém e muito menos não quer machucar a mim. Sou muito boba mesmo. Fico tentando encontrar defeitos em mim, coisas que possam ter te afastado, mas nesse meu estado de abstinência de você, onde eu pensei muito-muito, não consigo encontrar. Sei lá, talvez eu tenha sido dispersa demais... ou tenha te deixado livre demais. Eu faço isso... eu deixo as pessoas livres e tento fazê-las enxergar as coisas de forma a que não sofram com as decisões e que saibam das consequências daquilo que escolhem. Aí passa pela minha cabeça que não escolher continuar comigo é direito teu. Direito de não receber algo que eu sei que seria bom.
Mas pra não me perder, eu queria te dizer que gosto de ti por tu ser assim, desse jeito que tu és. Cheio de medos, de monstros na cabeça, de problemas e sei lá mais o que mais pode se passar na tua cabeça.
Eu pensei que queria ser uma fuga pra ti... pra fugir dos teus problemas e do que mais quer que fosse.
Eu gosto do tom da tua voz e de como consigo escutar o que tu me diz sem tentar encontrar qualquer sentido por trás de tudo. Dessa forma mais prática que tu tens. E eu gosto da maneira como tu caminha, que sei lá, me incomoda um pouco, mas eu gosto mesmo assim. Eu gosto dos teus abraços, do teu cheirinho... gosto praticamente de tudo. Talvez até tenha sido bom terminar... não tive tempo de conhecer teus defeitos mais graves e nem tu conhecer os meus.
Talvez, a próxima vez que nos encontrarmos tu me aches estranha demais, ou eu mesma te ache estranho... não sei, essas coisas acontecem.
Mas queria continuar de mãos dadas contigo. Que pena que tu me soltou. Vou te respeitar, mas só precisava que tu soubesse do jeito que gosto de ti.

sexta-feira, abril 22, 2011

Por estar perdida

Caminhei sem rumo. Deixei o vento me segurar a mão e fui, pra lugar nenhum. Não ouvi som nenhum. Talvez tenha saído pra te encontrar. Talvez pra não mais te ver. Fiquei sem um pedaço de chão ou sem nenhuma seta me apontando pra onde ir. Imaginei mil coisas. Vi olhares superficiais e pessoas com máscaras. Que pena, quem usa esse tipo de máscara não consegue ao menos ser livre por si mesmo. Fica se prendendo em superficialidades, se escondendo atrás de risadas, de falta de abraços. Não consigo usar máscaras. Sou inteira quase o tempo todo. Quando sinto assumo. Quando me dói, me dói em tudo. Fico dolorida até no olhar. Me distraio pra não pensar que ando perdida, mas acabo saindo sem encontrar o rumo. Onde será que está você? Em que será que está pensando? Será que tem parado pra pensar ou ainda foge do que pode ter solução? Não sei o que eu sinto exatamente. Ou sei, mas não digo. Mas hoje, exatamente nesse dia tão lindo de sol e silêncio, vou tentar. Tentar sei lá o que, mas quando se está vivo é que se deve fazer. Tentar. E é assim, talvez eu volte a caminhar ou não. Eu não quero mais falar nada. Agora eu preciso ouvir. As coisas estão muito desconexas. Não sei mais nem onde eu estou e porque eu estou. Mas eu garanto, nada é tão grave quanto parece. E nem tão simples quanto eu faço parecer.

quarta-feira, abril 20, 2011

Crescer, avenca

Você, minha pequena avenca, acha que pode assim, cortar as próprias raízes? Acha que tem o direito de não se deixar crescer pra virar árvore frondosa que me faz abrir janelas? Eu te dei terra boa, adubo. Te deixei crescer assim, dentro de mim. Te reguei, te coloquei no sol pra crescer mais bonita. Minha avenca, porque cortar tuas raízes? Porque não ter coragem de crescer em mim? Eu gosto muito de você, plantinha. Queria te ver crescer. Queria te ver virar casa pra passarinho, sombra larga. Queria tirar o que fosse ruim, podar os galhos secos pra te ver crescer mais bonita. Queria continuar cuidando de você. Ainda há terra boa pra te replantar. Tem-se que esperar a lua certa, aí sim você volta, ou morre de vez. Vou assim, esperando o tempo passar e vivendo. Vivendo.

segunda-feira, abril 18, 2011

Mapa

É preciso desatar as amarras e se balançar bem alto. É preciso deixar-se ir. Estou fazendo um mapa, pra desvendar um segredo bem secreto. As dicas virão com o tempo e bem devagar. É preciso andar um passo de cada vez e sentir a terra no chão. Deixar o coração leve e a cabeça nas nuvens. No chão apenas os pés. As mãos devem segurar apenas laços de fitas. E da boca apenas palavras doces. Não deve haver aspereza e nem mentiras que se acham verdade. Deve-se ter certeza mesmo que for dúvida. O que for preciso deve ser feito e assim o mapa estará pronto. Pra chegar no tesouro que é segredo é preciso tempo, que se tem pra vida toda. Tem-se que deixar o tempo passar, os dias correrem. Eu gosto de andar assim, devagar. Contando os passos pra desenhar no mapa. Um dia eu conto sobre cada pedaço que vejo em você e cada lugar onde esse mapa pode levar. Até mesmo se for em mim.



(Quem é você, afinal?)

domingo, março 20, 2011

Eu canto pra você

Agora quem canta pra você sou eu. Escuto ainda tua voz entoando meus versos e ouço a tua risada. Te ouço dizendo o quanto eu te fazia feliz por tão pouco e de tão longe. Agora eu canto pra você com o peito cheio de saudade. Violão e girassol. Sempre tem você saindo da minha voz. Eu abraço algumas pessoas como se estivesse te abraçando. E eu me solto do que for pesar pra ter o coração leve como o seu. Eu me deixo sonhar com anjos e te encontro no meio deles. Você é tanta presença pra mim que não sei o que fazer com a falta que me faz. Eu me aperto de saudade. Escuto carinho nas músicas que poderiam ter sido cantadas por você. Vou a praia e me lembro que estarias lá comigo. Olho no espelho do meu banheiro e me lembro de quando você veio me ver pela primeira vez. Me lembro de ti com o sol dos dias frios e dos dias de verão. Me lembro de você com amor de criança. Tenho muita saudade, Denise! Espero que você esteja tão bem quanto aquele arco-íris que apareceu quando você virou ausência. Você nunca vai conseguir ser ausência, porque você é muita vida dentro de mim. Você me dá vontade de viver coisas novas, de cantar pra você. Um dia eu sei que ainda vou te reencontrar. Num lugar lindo, perto daquela árvore do anjo que eu sonhei. E não vai mais faltar presença pra ninguém. Você também é família pra mim. Não me importo que tenhas partido antes, porque não te tiro da minha vida de jeito nenhum. Amo e sempre vou amar. Você e tudo o que me ensinou e me deixou. Você é vida dentro de mim. Vou sorrir, abraçar e cantar por você. Eu te prometo ser feliz.

quarta-feira, março 16, 2011

Pra ser o que for

Só quero ser feliz. Não me rotulem. Nem a mim e nem ao meu coração. Não digam que algo é isso ou aquilo. Que algo vai ou que fica ou que foge. Não digam nada. Me deixem ser feliz sem dar nome pra felicidade. Me façam o favor de respeitar o meu sentido sem nome. Me deixem respirar. Escolher. Ir. Não ir. Me deixem. Não roubem meus sentidos. Não roubem a minha liberdade. Me deixem criar o que eu quiser dentro ou fora de mim. Me deixem sorrir. Me deixem chorar. Gargalhar. Suspirar. Me deixem ser. Me deixem fazer. Me permitam ser o que eu quiser ser. Me deixem ir pra onde eu quiser ir. Se for pra dentro, me deixem vir. Me soltem. Me deixem livre pra fazer o que for. Pra fazer nada. Me deixem ser Gabriela, Maria, Dolores. Me deixem ser aquilo que for pra ser. Me deixem cantar. Ler. Escrever. Me deixem andar sem nome pra nada. Me deixem seguir o caminho que for. Eu estou livre de mim. Eu estou comigo. Eu fico assim. Fico feliz e não. Fico ansiosa. Me deixem duvidar. Me deixem voar. Me deixem ser quem for.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Amar-se

Quando você decide se colocar no centro da sua própria vida, das suas vontades, criações, paixões ou seja lá o que for, então nada mais vai te decepcionar com tanta força. O bom de ser o centro de si mesmo é que se você fizer algo errado ninguém vai poder te culpar, porque o erro foi só seu e pra si. A gente demora um pouco até entender a diferença entre amor-próprio e egoísmo. Saber-se dono de si não é ser egoísta, é ter consciência de que certas coisas que fizer só irão prejudicar a si mesmo. Não sou egoísta quando o assunto é amizade, porque não há competição. É um jogo limpo, onde todos sempre vencem. Entretanto, quando o assunto é coração, amores, paixões, tive que levar muitas na cara pra entender que se não houver o tal do amor-próprio e o tal de "colocar-se em primeiro lugar" nunca haverão vencedores. O empate terá sempre saldo negativo. Carinho não se implora e nem se agradece. Carinho é coisa pra receber e transmitir. Mais uma vez, depois de uma longa noite de sono, a resposta me veio à mente como uma fonte de água límpida. Não há segredos, só há amor -próprio. E quem sabe se um dia eu não vá mudar de ideia, não é mesmo? Tudo é um ciclo e agora é a minha vez de curtir a paisagem de cima da roda-gigante.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Escrever

A gente se acha dono do que os outros escrevem. Tem poeta que escreve tudo inspirado no que eu penso. Ou eu sou prepotente e me acho ser dona do que eles escrevem ou, de alguma forma, o que eles pensam também passa pela minha cabeça. Será que quem escreve tem a mente ligada com todos os escritores também? Será que existe telepatia entre os escritores e poetas?
Toda vez que leio algo que me cabe não hesito em usar e fazer as palavras morarem em mim. Alguns versos alugam meu peito por grandes temporadas. Nem me consultam se podem se mudar. Eles entram e ficam ecoando o tempo todo dentro do meu peito. Tem verso que até me tira o sossego. Tem outros que me inquietam até encontrar o significado dentro de mim. Sei lá, também devo morar nesse lugar dos pensamentos dos poetas.
Escrever é ação muito responsável. Você não usa só o que vem de dentro de você, mas pega emprestado os sentimentos dos outros também. É inevitável. Todas as palavras que se juntam são algo interno, mas que ecoa externamente e dentro de outras pessoas também. Nenhum poeta ou escritor pode fugir dessa sina. Sentir e escrever com a responsabilidade de seus versos também morarem no peito de outro alguém.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Até parece devaneio

Vamos fugir, viajar, sair desse lugar... Um abraço e só. Silêncio e só o barulho do vento nas árvores, das folhas caindo no chão. São muitos segredos ditos no silêncio dos abraços. Quem não escuta não consegue fugir.
Mãos geladas, nuca quente. O calor que eu guardo dentro do bolso da tua camisa e o frio nos botões do meu vestido. Os cabelos são dourados, se esvoaçam no vento e brilham com o sol. As palavras que digo não espalho. Tudo o que sinto tem nome de cidade invisível e tudo o que invento são os prédios, edifícios, casas, lajotas, calçadas dessa cidade. Se quiser, te mostro esse lugar, mas é preciso se desprender e fechar os olhos. Tem que confiar, só dizer que sim. Tem que ter coragem e não fugir. Possuo monstros traiçoeiros e fadas doces. Não tenho rancor, orgulho. Eu tenho amor, mas é preciso ter coragem pra aceitar. Tem gente que foge e tem gente que vive sem estar junto. Tem quem se engana. Quem é você afinal?

segunda-feira, setembro 13, 2010

Feriados íntimos

Tenho meus próprios feriados. Não faço folga mas passo o dia comemorando com a maior festa dentro de mim. Me embriago de boas lembranças e esperanças de futuro tão bom quanto o festejo do meu feriado.
Comemoro o dia dos sinos e do maior enxame de borboletas que já tive na barriga em todos os novembros de todos os anos. Também comemoro o dia dos olhares em todos os setembros e maios e dias 4, de todos os meses. Os dias 23 tem o gosto de aniversário e o dias 10 dos outubros tem algum significado que até hoje ainda não descobri qual é.
Se for festar ou se for só comemorar com um abraço só pra mim, não me importo. Os feriados são meus e não preciso espalhar pra ninguém. Às vezes sou meio egoísta com essas coisas, mas é complicado explicar algo que só faz sentido dentro de mim.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Acalento

Como eu poderia saber que algo tão simples me iluminaria tanto o coração? Que conhecendo só um pouquinho daquilo que vive dentro de mim me deixaria tão feliz e tranquila? Então eu agradeço e continuo estudando. Quem sabe um dia eu chego lá, né?

quarta-feira, agosto 18, 2010

Precisar

Parece que eu preciso de coisas que nem nome sei dar. Até coisas que sei. Cortinas, luminárias, luas, estrelas, sóis. Do que mais eu preciso pra preencher a parte vazia do meu coração? Fotografias, sons, sorrisos, palavras, poemas. Que mais? Uma mão, um abraço, um beijo e um tchau, uma certeza e um talvez... tapetes, travesseiros, almofadas. Uma pilha de risadas e sentimentos matutinos, cheios de luz do sol nascendo e entrando no meu quarto. Preciso de uma noite de conversa pra ter dias de sol silenciosos e entendíveis. Preciso de muitas coisas e preciso de você. Vou entender teu talvez, tua grosseria. Mas vou torcer pra que não seja assim, só pra que seja bom. Quantas coisas mais eu preciso pra preencher esse vazio? Se eu for, você vai comigo? Preciso de tempo e preciso de.

terça-feira, agosto 10, 2010

Músicas de coração

O telefone toca. - Gabriela, estou aqui na biblioteca. Pode vir me ver? - Claro, já vou.
Papo vai, papo vem. Conversas soltas, olhares, carinhos amigáveis ou mais. Sorrisos, revistas, livros, comentários sobre política, futebol, arte.
Hora de ir.
Um abraço mais apertado que o normal, um beijo no rosto e, espera, tenho uma coisa pra ti. Um CD com músicas lindas, presente mesmo que só se faz de coração.
Sinto falta de certos olhares, mas ouço as músicas sempre e com muito carinho.
Desculpa ter te magoado. Vai ver o tempo sabe mesmo o que faz.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Pensamento clandestino

Quem é o que eu já perdi em mim também é um eu que pegou as malas e foi morar fora, em outro corpo ou em outra cabeça cheia de pensamentos que poderiam ser meus.
Quem consegue morar na mente de outro alguém, sendo a própria pessoa, é quase um clandestino que não soube livrar-se o suficiente do país que era seu próprio dono, se é que se é dono de algo, alguém, pensamentos, ideias. Tudo são inspirações. Talvez você leia os mesmos livros que eu, as mesmas poesias. Tenha até um olhar parecido pras coisas ou pra o que quiser que seja. Não sei quem eu sou quando não moro em mim, mas sei quem é você quando me recebe nesse país que é de ninguém. Se eu conseguisse contar tudo o que vejo quando não estou em mim...

segunda-feira, julho 12, 2010

Amo, amei.

Certa vez tentei dar todo o amor do mundo pra alguém. Inventei pretextos, contei histórias, ouvi outras. Ficava olhando como que hipnotizada, escutando as palavras bem empregadas que esse amor usava quando falava comigo. Mas pena, ele não soube receber. O problema é que tive que engolir esse amor assim, no seco, sem nem um copo d'água pra ajudar a descer. Foi difícil. Criei um problema estomacal, e depois desse, um outro amor que tentou chegar nem mastigado foi. Tentei com todas as forças sentir um gosto diferente, mas não adiantou, acabou sendo um 'não-amor'. Algo sem gosto, sem sal, sem açúcar. Só ácido e amargo vez ou outra. Não criou raízes em mim... não floresceu. Esse não-amor secou, virou pó, sumiu.
Antes desses tive um outro, um de olhos amáveis. Este me olhava de um jeito mais puro, mais ingênuo. Deve ser porque éramos tão mais jovens. Aquela coisa de primeiro amor, de primeiro beijo. Nos dávamos bem. Saíamos juntos, às vezes, em segredo. Trocamos cartas, olhares, segredos, telefonemas rápidos, carinhos na palma da mãos e, eu sei, até uma traição. De qualquer forma ambos mudamos muitas coisas por culpa do outro. Ele trocou as escolhas e eu, que fiquei com o lado mais sensível, mesmo assim o machuquei. Esse foi o amor que eu tive, não soube receber e quebrei. Hoje em dia só posso ver aquele olhar amável pelo lado de fora, torcendo pra que tudo dê certo, pra que tudo se encaixe e ele seja realmente feliz. Desejo as coisas boas do fundo do meu coração e sinceramente.
E por mais que me doa ou perturbem a minha paz, ainda assim, sou fiel a esses amores. Talvez seja fiel a outros também. "Talvez" não, eu sou. Mas hoje lembrei desses dois com mais carinho, com um pouquinho de dor, acho que porque ficaram mal acabados ou mal resolvidos. Não sei se pra eles, mas pra mim parece que sim. De todo modo, não me importa mais. O tempo já passou e a vida já seguiu. Pra onde a vida vai me levar eu não sei, mas sei que continuarei sendo fiel, afinal, o que seria de mim sem o amor?

quarta-feira, julho 07, 2010

Voo

- Longe - Força - Medo -
- Felicidade - Desespero - Frio na barriga -
- Calor - Vento - Respiração -
- Voar -


(E qualquer outro sentimento que o meu vocabulário não conhece...)

domingo, julho 04, 2010

Nome

Sonhei que falando contigo chamava teu nome e me soava tão doce. Você que continua me fazendo bem e morando no loteamento do meu coração. Seus olhos de estrela ainda brilham nas noites do meu céu.

quarta-feira, junho 09, 2010

Contrária

Tenho uns dias dentro dos meus dias que eu fico um pouco rude com as pessoas, meio sem paciência pra quase nada. Mas isso não é culpa de ninguém, é só culpa das palavras, que guardo. Elas fazem festa dentro de mim. Viram poesia o tempo todo e querem que eu preste atenção apenas nelas. Acho que é uma pequena vingança, porque na maior parte do tempo eu as ignoro e vivo mais externamente. Palavras podem ser muito ciumentas e geniosas. Quando te querem, não há quem consiga desprezar. Dentro de mim elas cantam, falam de carinhos, de dias de sol, de chuva na janela e toda sorte de coisas que pareçam poéticas aos meus olhos. Não sei se eu sou dona das palavras ou se elas me dominam. É um grande mistério nessa vida de dias rudes por fora mas extremamente doces e suaves por dentro.

segunda-feira, maio 24, 2010

Hai-kai

Barriga borboletante
E mãos inquietas pra lembrar que
O amor é amar

segunda-feira, maio 17, 2010

O rio atrás dos olhos

Eu sinto que eu tenho um rio inteiro de lágrimas pra chorar, mas não tenho coragem de pedir pra algum ombro me segurar, porque eu sei que é chato ficar de choramingos. Então sabe o que eu faço? Eu fujo. Fujo e seguro tudo o que for nó apertando na garganta e não conto nada do que sinto pra ninguém, só pra mim e só nos suspiros pesados que meu pulmão dá antes de dormir. Converso com o anjos por sonho e depois no outro dia o rio ainda está lá, pronto pra estourar a barragem de nós que o segura. Então será que eu sou o quê? Uma boba que procura nem sabe o quê e que foge dos ombros que podiam aliviar a cheia desse rio?


Por onde?

"Por onde é que se começa a viver e a ser feliz?"

quinta-feira, maio 06, 2010

Poeminha perdido

Vagando por aí, pelo mundo
Por qualquer ou nenhum lugar
A gente se esconde de quem?
A gente se perde porque?
E como, onde a gente se encontra?
Por onde a gente anda que é tão difícil de encontrar?
Como se perder se a gente nem sabe onde está...
E se a gente nem sabe porque está, porque se procurar?
Pra que querer se encontrar?
Quem explica?
Quem já se encontrou
ou quem na vida anda perdido,
Como eu, como nós, como todos?
Onde eu estou eu não sei
Quando eu sou eu não sei
Eu só sei que ando perdida, mas por onde e como quem?

quinta-feira, abril 15, 2010

Uns três anos de "pra sempre"

"Teus olhos querem me levar
Eu só quero que você me leve
Eu ouço as estrelas conspirando contra mim
Eu sei que as plantas me vigiam do jardim
As luzes querem me ofuscar
eu só quero que essa luz me cegue..."
(Nem 5 minutos guardados - Titãs)

Quero te ver, falar contigo. Entender porque quando tu chegas perto fica sem jeito, sem ação. Se atropela nas palavras, me olha por baixo, como quem se reprime do que está fazendo. Porque ficas paralisado e depois não sabe nem onde colocar as mãos. Porque tu finges não sorrir quando eu sei que estás sorrindo quando me vê, assim de passagem.
Não tenho mais aquela ilusão que tinha durante os três anos em que eu tive você. Que depois tentei ter outros, mas ainda assim, secretamente, apesar de te negar, queria ter as tuas faltas de jeito, andar contigo pela noite, de mãos dadas, em segredo. Perguntar se teu coração era só meu ou se tu ainda tentavas me preencher com outra Gabriela qualquer.
Será que tu ainda guardas aquelas sensações? E o "te amo pra sempre", será que ainda vale ou o sempre já acabou? Eu ainda guardo a sensação de esperar pelas tuas palavras pra depois te mandar as minhas. A sensação de te olhar em segredo e ser reprovada pelos outros. E depois quando já podia te abraçar e sentir tuas mãos ásperas segurando as minhas. E ver teus olhos me olhando com aquele ar apaixonado, de quem sente um tudo, mas tem medo de ser reprovado.
O teu amor eu não guardo na palma da mão. Eu guardo junto com palavras antigas e viciadas que recebia. Lá com bilhetes trocados em sala de aula, com assuntos infantis sobre desenhos japoneses, com pequenos presentes que recebia. Tenho as fotos e até o mesmo cheiro nas tuas palavras.
Mas eu preciso conversar contigo, saber ao certo o que é e te deixar seguir pra seguir ainda mais livre o meu caminho e te dizer que o meu pra sempre se transformou e que eu te quero tanto bem.

domingo, abril 11, 2010

Viver

"Eu quero viver;
viver de verdade mesmo.
Viver pra valer."

segunda-feira, março 08, 2010

Ah, essa liberdade de criar...

Poucas pessoas tem a capacidade de me causar curiosidade e vontade de saber e contar as minhas próprias ideias. Quando encontro alguma dessas pessoas fico endoidecida. Quero falar muito, contar meus planos, ideias, lapsos criativos ou qualquer bobagem que venha à minha mente. Quero dividir e dar um pouco da minha criatividade ao que a outra pessoa inventa. Mas vou admitir, fico tímida, com medo ou receio que me menosprezem, que rejeitem minhas invenções ou sejam sarcásticos com a minha imaginação fértil e meu coração geralmente ingênuo em relação às atitudes das pessoas. Uma das características que admiro nessas poucas pessoas é a capacidade inventiva e a ousadia ou coragem para realmente expressar o que sentem, o que querem inventar, falar, criar.
Talvez o que eu tenha seja uma excessiva auto-piedade, mesmo sabendo o quanto eu tento me desprender desses medos. Quem sabe um dia, quando estiver longe e, aí então, mais perto de mim, eu assuma minhas ideias mesmo que pareçam bobas aos olhos alheios ou até aos meus próprios olhos. Onde será que estão esses dias que eu procuro? Quando será que eles estão?
Essas poucas pessoas me fazem ficar mais perto desses dias que procuro. Pena que elas sejam tão poucas, pena muitas delas morarem distantes e pena não conseguir enxergar com clareza as que estão mais próximas a mim.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Das cidades invisíveis


Eu moro em Valdrada, mas isso não é verdade. Também não é mentira. Eu moro em Turvo, sul de Santa Catarina, o que também não é mentira, mas que com certeza não é uma verdade. Escolhi Valdrada porque é cidade que se reflete. Ela é cidade invisível, criada pelo Italo Calvino, mas eu me sinto muito mais moradora de lá do que dessa cidade onde moro e não vivo. Não é viver no sonho ou na fantasia, mas escolher onde se quer viver e antes de estar onde vai ser o meu lugar, preferir deixar o ar da minha respiração numa cidade que nem existe de verdade.
Mas acontece que encontrei o mapa das cidades invisíveis, as mesmas que o Italo inventou e pra onde Marco Polo decidiu viajar, conhecer e descrever para o imperador Kublai Khan das belezas ou não desses lugares inventados.
A cidade onde eu moro não é ruim. É tranquila, não tem violência, dá pra dormir com a janela do quarto aberta que ninguém entra... Mas mesmo assim não gosto daqui. Não por ser um lugar pequeno, mas por ser um lugar que não cresce dentro de mim. É a cidade da minha infância e da minha adolescência, não quero que seja da minha vida adulta. E tenho meus motivos, mas nenhum que colocasse aqui explicaria meu sentimento.
Dentro de mim tem uma pergunta que nunca se cala: "Qual será minha Valdrada?".

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

De ser feliz

"Tenho uma vontade de ser feliz tão grande que nem sei como me cabe."

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Amor maior do mundo - parte 1

Apesar de me incomodar um pouco, eu gosto quando ele me espia pela janela, ou pára na minha frente e fica me observando. É tanto amor que sai daqueles olhos que me emocionam, então geralmente eu saio de perto pra não derreter meu olhar fugitivo em lágrimas.
Nunca vou entender pra quê ser tão durona. Deveria ser mais fácil abraçar, dar um beijo e dizer "te amo" pra uma das pessoas mais importantes que se tem na vida. Mas deve ser meu modo de mostrar amor, o mesmo que ele usa quando só me observa e não fala nada. Ou quando ele conta da infância dele, dos pais dele, dos irmãos, da dificuldade na adolescência... sei lá. Me dá raiva de saber que ele sofreu tanto pra chegar onde chegou.
Eu admito que às vezes até fico chateada, mas é meu ego enorme que não me deixa entender o que eu sei que de melhor ele quer pra mim. Deve ser difícil também pra ele, querer dizer alguma coisa e nem conseguir. Eu entendo que é complicado, assim como é complicado pra mim. Devo é ter orgulho por ter puxado a ele esse lado mais fechado. Se falar, choro. Então eu olho um pouquinho, espio quando está dormindo e mesmo assim reclamo quando ele faz bagunça. Mas é tudo amor. É tudo o amor maior do mundo.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

O sonho foi embora?


Não sou uma pessoa que aceita facilmente quando os planos que faço vão embora sem nem me avisar. Tudo bem, tive um desvio de rota, mas meu sonho continua lá, paradinho me esperando pra realizar. Me disseram que "quem sabe não era a hora certa pra eu ir embora" ou que "o que é teu tá guardado, mesmo que demore a chegar". Espero mesmo ter mais muita vida pela frente pra poder realizar todos os meus planos e que eles não me deixem sozinha na metade do caminho.
Hoje fui no mar e conversei com o Papai do céu e com todo o universo. Sei que tudo vai conspirar a meu favor como sempre e tudo vai dar certo porque eu quero e se eu quero, eu consigo. Sou uma otimista irremediável.

quinta-feira, novembro 26, 2009

Affonsinho e o picolé de alegria


Só porque quem me adicionou foi ele, mereceu até postagem aqui no meu bloguinho.
Não sabe do que eu estou falando? Dois links aqui embaixo pra conhecer o trabalho bonito que ele tem:

:D

quinta-feira, outubro 08, 2009

As vontades que meus sentidos tem

A palma da minha mão sente falta da tua pele. Cada linha de impressão digital dos meus dedos sentem vontade de te acariciar o rosto, a nuca. Minha pupila só quer enxergar tua imagem e meus braços só querem te apertar num abraço sem tamanho. Minhas pernas querem, com a ajuda dos meus pés, correr na tua direção e a minha boca só quer dizer teu nome. Meus ouvidos querem ouvir tua vóz me chamando e meu peito quer encostar no teu pra sentir o coração batendo.
Minhas cordas vocais querem amanhecer cantando no teu ouvido e a palma da minha mão quer guardar um beijo teu. Os fios do meu cabelo querem voar enquanto corro pra te encontrar e meus dentes querem sorrir de tanta felicidade quando ver. Minha língua quer sentir teu gosto e meu pescoço quer de volta os beijos que arrepiam todos os pelos do meu corpo. Minha cintura quer tuas mãos e eu, inteira, quero teu colo.


Meu corpo inteiro quer sentir o teu e minha alma quer encostar na tua.

quarta-feira, outubro 07, 2009

.

Nós teremos um segredo, combinado?

quinta-feira, junho 18, 2009

Das estações do ano

Mas não fiz questão de levantar cedo da cama porque sentia que precisava sentir o macio dos meus travesseiros e das fronhas de algodão acariciando meu rosto. Pensei quão bom seria se recebesse mais do que carinho de travesseiros e cobertores todos os dias pela manhã, mas não. Recebo carinho por cada estação que passa. No verão tenho sorrisos, abraços de muita gente e bebida que acaricia minha garganta. Depois vem o outono e as despedidas. Acabam-se os abraços de tanta gente e ficam as músicas pra acariciar a saudade e os ouvidos. Aí chega o tempo mais frio com carinho de mãe e pai além risada das irmãs e tudo o que é de família. Brigadeiro de panela geralmente entra nessa época, junto com as gordurinhas extras, claro! Na primavera é tempo de mandar amor de mentira embora. Foi sempre assim. Amor que nascia, quem sabe num outono, crescia naquele frio de inverno e ia embora com os perfumes sonolentos da primavera. Nem me importava, porque de tudo o que preciso das estações guardo nos meus sorrisos internos e no carinho que trago dentro dos travesseiros junto com os sonhos de ser bem maior.
Mas sabe bem que não me interessa entender direito cada estação, porque tenho sede de viver e buscar e aprender e ver coisas diferentes e novas pros meus olhos. Cada ciclo um novo começo e em cada começo mais surpresas e mais ânsias e mais, e mais, e mais...

domingo, março 29, 2009

Convite

Abro estradas nos meus poros e te deixo navegar nas minhas veias. Possuo explosões com teu toque, terremotos com teu olhar que me diz sem som e sem nada. Guardo a sensação da tua mão encostando na minha e do beijo que te dei pra guardar, dentro da palma da tua mão. Sinto a tua pele na ponta dos meus dedos e me deixo embriagar com tuas risadas sem fim, tão gostosas, tão altas.
Quer vir passear em mim? Conhecer minhas estradas amarelas, meus campos que de tão verdes são dourados, minhas águas cristalinas com rios e mares cheio de estrelas brilhantes? É fácil, é só você fechar os olhos, respirar fundo, fazer silêncio e segurar minha mão.
Clichê. Sabe?


terça-feira, fevereiro 03, 2009

Pequena

Escrevo pra dizer que tenho pensado muito em você. Que devo ter muita dessa saudade, mas nem sei. Ontem à noite, por exemplo. Lembrei bastante de você. Dos sorrisos, do sotaque carioca e carinhoso, das risadas. De quando me ligou no meio de um show pra me deixar escutar palavras de um palhaço cantor. Se eu pudesse escolher as pessoas que fosse abraçar todos os dias, escolheria essas melhores pessoas que conheci na minha vida. Porque tem gente que a gente abraça mas que nem sente. Que afrouxa o abraço e se solta do que a gente sente. Mas você, sem que eu tenha abraçado, sei que tem um abraço que segura e que sente. Deve ter esse abraço que fica morando na gente durante dias, meses, anos... pra sempre? Você que é linda assim, que me dá carinho de pegar na mão e medir dedinhos de lã vermelha em papel pardo pintado com canetinha hidrocor. Me trouxe palavras, amizade, amor. Você que mora em mim, pequena. Que é um anjo, eu sei. Você bem que tenta disfarçar, mas veja, estudou psicologia pra poder cuidar das pessoas. Te faz bem cuidar, faz mais bem pra quem tem a satisfação de te ter por perto. Você que mora aí longe, nessa cidade maluca que eu nem conheço. Nessa São Paulo cheia de coisas e de nada, deveria visitar meus campos verdes, minhas águas límpidas. Não te vejo, quase não falo com você, mas divido as coisas em pensamento e coração. Te conto as minhas alegrias, desabafo um pouco das angustias chatas que aparecem pra apertar a garganta e depois desfaço os nós pensando no que dirias pra mim. Você que não é mistura de ninguém, que é única e tem esse coração gigante que sabe-se lá, Deus, como te cabe. Você que tem sol como meu ascendente: sagitário. Com esse teu sorriso lindo, grande e as promessas de um dia abraçar e um dia, trocar um chocolate quente, uma coca-cola. Você que é minha amiga e eu digo que amo sem nenhum medo, porque amar nunca dói e até de longe assim, sem tocar, se sente. Você cuida do meu coração, que me trata feito criança e que sabe do meu dentro sem mesmo se dar conta. Pra você, Juliana, eu deixo meus mil carinhos e mais umas montanhas de abraços, pra que você sempre encontre um ombro pra repousar a cabeça quando estiver cansada e precisando de um tempo de silêncio. Você que é linda, que é anjo. Pra você eu agradeço pelo simples fato de existência. Obrigada, Juju!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

de fazer com a saudade

Se eu te disser que estou com saudade, nem verdade vai ser. Saudade nem se diz, só se sente e se mata. Mas você me proíbe até de sentir e isso me dói. Ai, essas dores que tu me causa. Me diz pra quê? - Pra nada - Porque tu estás aí, com tuas afeições, teus afetos, tuas brincadeiras e risadas tão roucas e gostosas de ouvir. Pare de ser falta e vazio em mim, por favor!? Queria mesmo fazer esse apelo.
E se acaso você não existisse? Será que as coisas se tornariam mais fáceis? Será que você seria outra pessoa e eu, alguém diferente do que sou agora? Não por ti, já que quem eu sou eu sou por mim, mas por tudo o que me passa nesses dias em que fico assim, meio oca, meio cheia de ruas sem saída, meio. Fico pela metade, parece. Te procuro em todos os cantos. Quero te ligar, mas preciso te dizer que não, que sempre não. Se tu não existisses eu não teria essa saudade idiota que me machuca tanto e que tanto me tira o sossego. Te escrevo cartas mentais o tempo todo. Te conto tudo tudo. Divido até bizarrices e os choros de crise existencial. Meu bem, sou mulher. Típica. Cheia de complicaçõezinhas e idiotices feministas.
Mas concluo, não quero que você exista. Vou colocar na minha cabeça que você só foi uma invenção. Um das mais bonitas que já inventei e que custei ter vontade de jogar fora de tanto que me apeguei. Desapareça você e essa saudade inventada.

terça-feira, novembro 11, 2008

De dividir o que é bonito

E essa vontade de dividir beleza. De deitar num peito, escutar um coração batendo devagar, calmo... de escutar um som de piano, assim bem bonito. De dizer que as tuas manchas marrons por dentro do verde dos teus olhos, atrás das tuas lentes que aumentam o grau daquilo que vês me intrigam e que eu gosto tanto. E essa vontade de te deixar bilhetes escondidos, cartazes colados. Queria te dividir tanto, com tanta gente, te mostrar essas coisas bem bonitas que os outros têm porque me tratam com tanto carinho, me dão colo, balas, cerveja, cigarros. Posso te mandar boas notícias, também. Porque do lado de cá, eu tenho colecionado tudo o que é bom. Amigos, afetos, carinhos, amores. Encosta teus dedos com delicadeza na palma da minha mão. Eu acarinho em cima dos olhos e te acalmo, te protejo de tudo. Até do que não se protege, porque me ensinaram que segurança não existe, que só existe a vida e o viver e eu quero, vida e viver assim, bem bonito. Silencia, porque te quero tanto bem. Deita no meu mundo, divido tudo com você.

domingo, outubro 19, 2008

E o que fica é só o amor

É que você não me dói. Você não me dói mais, sabia? E é tão bom sentir tua dor em mim esvair-se em solidão e te ver ali, sorrindo feito bobo. Te ver brincando de viver e vivendo as tuas brincadeiras me alegra e não me aperta o peito. Quero te ver ser assim, bonito. Te admiro tanto e gosto tanto do tamanho do teu abraço até quando não me serve e eu gosto que tu me sirva, mas não me dói mais saber que tu estejas vestindo outros braços. Não me dói e eu te amo. Te amo porque sim. Vai dizer que não? Vai me proibir de sentir amor por você, também? Meus amores não morrem, se transformam. Obrigada por transformar-se em amor puro, em mim. Eu te amo.



(meu amor mais bonito de olhos de estrela e dedos coloridos)


quinta-feira, outubro 16, 2008

Das urgências I

"Tenho algumas urgências e falar com você consta em um dos ícones da listinha. Tudo bem que está na listinha das urgências sem prazo, mas será que tens uma horinha sobrando nessa agenda conturbada? Se tiver, avise. É importante."

domingo, agosto 31, 2008

Sem luz, porque...

As tardes sempre tiveram muita claridade. Ambos gostavam da luz, mas ainda não tinham se visto fora dessas luzes artificiais criadas por lâmpadas ou fogo de isqueiros que acendiam os cigarros que ela tanto detestava.

Essas luzes artificiais que escondiam as imperfeições e mudava os pensamentos, fazendo encontrar beleza onde na verdade só havia uma vaidade querendo ou não encantar olhos alheios.

Os outros se aproximavam, quando ela estava só, mas logo que ele percebia, chegava perto dela, passando um braço pela cintura ou falando qualquer bobagem desnecessária. Que chegava perto dela, passando um braço pela cintura pra mostrar que mesmo não sendo, ela era só dele. E ele ria pra ocasião. Por fora. Do lado de dentro se rasgava e se enganava. Devia ser zelo ou algo parecido, já que agora, os dois, nem mais se tinham fisicamente.

Ela se mordia quando o via conversando com qualquer outra figura feminina. E achava inescrupuloso que os sorrisos dele já não aconteciam espontaneamente por causa dela.

Precisavam do sol para que se vissem apertando os olhos. Se irritavam, agora. Não concordavam com as coisas distintas e procuravam os motivos que os faziam ser juntos. Não encontravam. Fingiam que já nem importava mais e que de todos os últimos acontecimentos, o menos importante era o fato de não caberem mais nos seus abraços.

Deveria servir pra sempre. Ela sentindo uma necessidade imensa de tê-lo por perto, junto. Ele sentindo uma necessidade de fuga, de ser arrogante pra mandar o sentimento, que sabe-se lá, fosse só dela agora.

E das buscas de entendimento, preferia deixar como está. Deve de estar bom. Quando não pra um lado e sim pro outro, logo acontece alguma tempestade que arranca as árvores sem superficialidade, levando embora até as raízes e deixando somente um buraco fundo e dolorido, por não ter mais o que se ama plantado nas terras do coração. Que ele ainda mora nela e ela nele, também. Mas não se querem, não se podem e só se sabem. Sem luz, ou com, enquanto não mais se têm.

sexta-feira, agosto 01, 2008

Endereçada a:

Meu amigo,

quis te escrever essa carta porque sinto falta de te contar muitas coisas. Te conto tudo em pensamento, mas agora começo a me dar conta de que tu não me ouves mais, quando faço silêncio. Às vezes quero te ligar, te encontrar pra tomar café e discutir sobre os livros que eu li e que tu não aprovaste, ou sobre as cidades que conhecemos e que concordamos ou não em alguns pontos. Sobre os bairros e as ruas mais bonitas... enfim. Essas coisas que fazíamos religiosamente de tempos em tempos e que agora já não fazemos mais.
De qualquer maneira, meu querido amigo, quero te contar que muitas coisas têm acontecido. Na verdade eu não sei exatamente o que acontece, mas me pego mergulhada nas ondas que chegam até mim sem escolha. Muitas coisas ao mesmo tempo. Escolhas também. Tu sabes bem como é! Agora, escolhi ficar só com minhas letras unidas em palavras de escrever e ler. De falar, não. Porque como tu já sabes, eu preciso sempre de sentidos e nem sempre os sons fazem sentido pra mim. E eu sei que agora tu lembraste do querido Mário Quintana, dizendo genialmente que quem faz sentido é soldado e que, "por isso, Mathilde, não se preocupe com os sentidos e nem com as direções". Sinto falta da tua esperteza e me pergunto pra onde ela pode ter ido. Sabe-se lá, não é? Deve ter ido dar algum sentido ou direção pra alguma outra cabeça cheia de nós. E veja só, acaba por tudo ser como sempre foi.
Eu tenho cantado também. Canto e sorrio muito. Me faz bem.
Também continuo com as caretas matutinas. Maior divertimento fazer caretas e sorrir pro espelho logo pela manhã. Tu continuas sorrindo, não é? É importante manter sempre teu sorriso alegre. Ele ilumina as pessoas que têm a ventura de te presenciar todos os dias. Eu continuo sorrindo pra mim e pra ti, pelas manhãs. Porque me olho no espelho e te vejo refletindo, nas minhas saudades.
Para me despedir não farei nenhuma recomendação. Eu sei que tu te cuidas bem sozinho e que a tua mãe te faz sempre todas as recomendações necessárias. Só te peço pra que me escreva contando sobre tudo o que acontece por aí.
E claro, não sei me despedir. Só te deixo um beijo.

Com carinho,
Mathilde.

terça-feira, julho 22, 2008

A cidade que se desbota

Certo, se você decidiu voltar, eu não poderia impedir, discordar e nem trancar as suas malas com cadeado. Não! Só poderia abrir os portões da minha cidade inversa e te deixar ir. Você que não soube entender meus reflexos e nem conseguiu entrar além das primeiras ruas e praças. Já nem lamento mais. Talvez você não tivesse mesmo preparo para se entregar à um lugar tão repleto de encantos profundos. De casas com sofás vermelhos e almofadas douradas. Você acabou deixando de lado tudo o que eu não saberia explicar em palavras e tudo o que se sente quando se vê a imagem refletida do lado inverso da cidade. Você foi embora pra continuar encantando olhos que têm a sorte de te contemplar todos os dias, ou quase. Que descobrem as belezas que você contém. Mas as belezas de cá são maiores porque se refletem e, apesar de duplas, são diferentes e se juntam numa só.
Te desejo uma boa viagem e se quiser, minhas portas estarão abertas pra você voltar. Só tome cuidado para não se perder, se por acaso decidir caminhar além da pequena entrada da cidade, de onde você não conseguiu passar.

domingo, julho 20, 2008

Sorrir e Agradecer - Agradecer e Sorrir

Pelas minhas "andanças" por flickr's de ilustrações/cartoons e afins, encontrei o Flickr da Juliana Panchiniaki. A moça desenha com o coração, além de possuir uma forte influência de bom humor nas ilustrações que faz, coisa que admiro e gosto muito!
O cartoon aí de cima foi feito inspirado no meu texto "Preciso mesmo explicar?". É um dos amontoados de palavras que mais fazem sentido pra mim.
E como a Juju já sabe, (na verdade, ela deve estar careca de saber) eu ADOREI o desenho!

E mais uma coisa super legal! Eu não sou de fazer esses tipos de postagens aqui no meu blog. Sempre o guardei pra textos pessoais mas que mereciam encontrar com as meninas dos olhos dos outros... enfim, o que quero dizer é que hoje, também ganhei um presente que me deixou muito contente e surpreendida. O Rômulo, que gosta do silêncio tanto quanto eu, presenteou meu blog com um selo. A surpresa foi tão grande, quando li falando sobre as cores do vento, que caí pra trás, literalmente. Muito obrigada, Rômulo!

Aproveitando a postagem pessoal, minha amiga Viviana hoje também me presenteou lindamente. Foi a um show que eu não pude ir e, na hora que a banda começou a tocar, meu telefone tocou e era ela, toda empolgada. Vivi, brigadão, viu?!

Então, eras isso.

sexta-feira, julho 04, 2008

As tuas palavras minhas

Procuro tuas rimas no dicionário
Que folheio sem me atentar
De que tu és o barulho que o vento faz em canção
Tu és toda essa presença
De sensações bem vivas
Que permanecem quando não estás
E toda essa saudade infantil
Do que já foi e do que ainda virá.
Me devolva suas palavras e
Desate os nós que me apertam a garganta
Querendo transformar-se em chuva
Que me lava a face
E escorre até o peito e seca
Por cada abraço estranho
Que visto sem servir.

domingo, junho 22, 2008

Apelo

Se me ensinares novas palavras, quem sabe, eu volte. Invente, me reinvente. Me refaça e me reconquiste. Traga-me as tardes que nos faltaram, com sol ou chuva. Não me convém decidir sobre as tuas escolhas. Me deixe datas comemoradas e comemoráveis dentro de um punhado soprado de poeira transparente. Nuble meus olhos com seus pedidos de socorro que quase já não mais escuto. Me traga novas palavras e novas fórmulas de usá-las. Muito obrigada por me ter ensinado a deixar qualquer coisa que não fosse minha, assim, de lado. Por ter jogado pra dentro essas minhas vontades de ir e ir e conhecer. Não sinto teu tato e nem teus olhares. Só tua vóz, que me sussura versos lindos, cheios de malícia e encanto. Me ensine novas palavras, que só assim eu volto e te reinvento.

sábado, junho 21, 2008

Algumas coisas irritam

Vem cá. Senta aqui do meu lado e me escuta com bastante atenção, porque só vou te explicar uma vez e prometo que não vai ser difícil de entender. Vou usar somente palavras e expressões que você já conhece.
Tu conseguiu até me deixar irritada, sabia? Essas tuas faltas de atenção e teus excessos de sumissos me cansavam. E sem falar das esperas... que sempre me frustavam, mas que no fundo, eu tinha esperança de que fossem dar certo, de que tu virias e.
Durante um tempo, não sei quanto, já que aprendi que tempo não se conta, sempre quando estava perto de chegar na minha casa, eu imaginava que teu carro estaria estacionado no meio fio e que tu estarias me esperando com um abraço pra me vestir.
Sempre frustrados meus sonhos de te ver assim, quase de surpresa. Não fosse a espera que eu guardava dentro de mim e toda a paciência e calma que eu aprendi por ti. Porque, veja bem, tu me ensinaste mais do que imagina. E essa coisa toda é muito piegas e a gente fica se repetindo quando quer falar sobre alguma coisa que passou e que não volta, porque não quisemos ficar, ou ir.
Tu não quiseste vir, não é? Agora me escuta, já que é só o que tu podes fazer.
Havia uma linha imaginária. Um círculo em volta de ti, que eu desenhei. Queria te proteger das coisas feias que existem por aí. Não queria deixar que tu visses as coisas sujas e podres do mundo paralelo a esse, que criei pra ti.
É muito estranho, pra mim, pensar que você tenha me deixado com um castelo quase todo costruído. Acho que faltaram as portas. Se eu tivesse demorado menos esculpindo na madeira, um desenho de sonhos, acho que tu não terias saído.
Tinha grades nas janelas, mas mesmo assim ficava fácil pra ti olhar pro céu, não é mesmo?
Não adianta ficar me olhando com essa cara de quem tem dó. Não tenha dó e nem pena de mim. Tudo o que fiz foi com amor. E de amor não se tem pena, só orgulho.
Também, não acho que tu tenhas largado tudo pra que o castelo quebrasse ou algo do tipo. Não posso decifrar teus pensamentos. Ainda te acho grande demais pra eu poder ler teus significados, mas, entendo quando me falaste do orgulho. Agora entendo.
Não! Tu não pode falar. Só tens que me escutar, porque esse mundo todo quem criou fui eu.
Vou te dizer que entendo e sinto. E que tenho uma pilha e duas montanhas de carinho guardadas no meu guarda-roupas, misturada às coisas que escrevi, recortei e colei por ti.
Não fale nada. Preciso ir.

(um beijo de despedida - as costas - o jeito de caminhar - o jeito de olhar pra trás, ou não)

domingo, junho 15, 2008

que falta em mim:

Deve ser e é. Algo que me falta e que não me será tirado. Não assim tão rápido e nem assim tão fácil. Relutei contra o crescimento, mas só no ínicio. Não tenho a mínima vontade de recomeçar uma guerra pra retirar as bandeiras do meu território conquistado. E sabe? Vou conquistar meus campos verdes, verdinhos. Vou fincar minhas bandeiras de amor e dizer que amo e que está dentro, que vive que tem, que existe e que não sairá. Até permito uns passeios, mas que volte e descanse no meu sofá bem vermelhinho. Chás, cafés (sem açúcar, moça, por favor!), cervejas, águas - meus olhos de estrelas (até quando?) sempre serão.


(um comentário solto, só.)

segunda-feira, junho 02, 2008

Preciso mesmo explicar?

Vou começar a te explicar pelos teus sorrisos. Eles me fazem falta nesses dias de sol. Invento que te ouço sorrir às gargalhadas só pra me fingir estar acompanhada. Te levo no pensamento durante o-tempo-todo-o-tempo-todo-o-tempo-todo. Como fosse uma bomba relógio, mas que não explode nunca, porque os sorrisos que me provoca são inesgotáveis.
Também me faltam tuas mãos. Pra segurar as minhas, pra medir, pra fazer cócegas, pra desenhar traços, contar pintinhas... Me faltam, além das tuas mãos, as minhas, no teu rosto e em ti, te delineando e contornando esses traços tão bonitos que tens, por sorrir e ser assim, desse teu jeito cheio de pedaços.
É, você deveria ser em partes. Assim todos os que te amam te teriam pra sempre e você estaria com todos o tempo todo também. E olha que isso facilitaria muito. Teria pedaços de ti espalhados por boa parte desse mundo e aí, não te faltariam mais nortes ou te sobraria qualquer migalha de sul. Você seria seu próprio centro, sempre.
Dentro de ti deve caber um mundo inteiro. De gentes e lugares. Deve ser bom viajar e passear em você. Me leva pra passear e me conta coisas sobre teu dentro? Prometo contar só pra quem merece ouvir. E nem sou tão egoísta, só não quero te estragar. Não quero ficar doando passagens e carimbando passaportes pra quem não sabe nem ao menos aonde quer ir. Eu sei. Eu quero viajar em você.

E também tem aquela coisa que as pessoas falam sobre tirar do coração. Me diz, como eu posso te tirar de lá? Não quero, não! Lá é teu lugar. Tá cheio de gente linda e brilhante pra te fazer companhia. E tem muitas cores também. Assim, quando você enjoar do colorido das paredes, pode repintar com a cor que quiser. Tem muita liberdade lá dentro. Tanta quanto aqui fora.
Eu queria mesmo era te tirar da minha cabeça. Você pensa que é quem pra fazer moradia nos meus pensamentos? Você deve pensar que você é você e pronto, que não tem culpa por estar lá quase o tempo inteiro... Mas tem culpa, sim! Quem manda ser assim, tão - tão - tão você?

Vai ser uma conversa sem fim se eu ficar me justificando. E sei que pode ser que o entendimento não seja imediato, mas... agora você sabe. E pode pensar. Você é bem inteligente... garanto que vai chegar à resposta certa pra me dar. Mesmo se essa for só um abraço ou beijo misturado num grande sorriso teu.

sexta-feira, maio 23, 2008

Histórias pra contar

Agora é a minha vez de te contar histórias.
Já ouvi algumas tuas... vou guardar elas no bolso, mas você, senta e me escuta.


(Fato é que as histórias são sempre faladas e não escritas.)

domingo, abril 27, 2008

Do assassinato da curiosidade 2 - a verdade sobre o fato

É isso mesmo. Quando eu disse que tinha ido lá e assassinado a curiosidade eu menti.
Quer dizer... não foi exatamente uma mentira. Eu tenho medo de muita coisa e também sou bem insegura... Por isso inventei em dizer que tinha matado.
Hoje em dia, de certa forma, eu já devo ter matado um pedacinho dela. Mas é impossível acabar com algo assim, tão grande, por inteiro. Tem tanta coisinha aí dentro de ti que eu não me canso de querer saber e nem de querer entender.
E esse gosto tão bom que tu tens... não dá pra enjoar assim tão fácil. Mas, quem disse que eu quero enjoar, né? Quero nada! Quero é poder sentir muito e muito mais desses sabores todos.
E teve aquela parte, que eu disse que tu éras viciante demais pra deixar alguma pessoa sem preparo te provar e que se gostasse seria pra sempre. Essa parte era verdadeira. Só esse "pra sempre" que eu ainda não entendo muito bem. Mas deixa pra lá, né? Me ensinaram que dessas coisas a gente não tem que querer entender.
Mas também é verdade que chega a doer se não tiver. Porque às vezes me dói, sabia? Mas eu prefiro calar, porque tenho medo de "assustar". Esse teu jeitinho todo teu, que me derrete.
Acha mesmo que eu iria te provar e depois pronto?
Ah!! Claro que não!! Impossível - Impossível!
Só é possível te querer tanto e te ter tanto dentro de mim.
E tu sabia? Tem tanto de ti aqui por dentro. Vem, me invade, sorri às gargalhadas e depois volta. Silencia, deixa.
E é mentira aquele negócio de perturbar. Onde é que já se viu alguma coisa assim tão irresistível me perturbar?
Ah.... chega de falar, né?
Um dia te conto direitinho. Prometo.

quarta-feira, abril 23, 2008

Converso com você quando falo sozinha

(Um sofá. Duas pessoas. O menino segura uma almofada e a menina só olha, só olha...)

Fico querendo fazer silêncio, já que nem sei se preciso de muitas palavras. Não sei entender, só tenho vontade de olhar, de observar. Quero cuidar, também. Fico fazendo mil homenagens escondidas, querendo mostrar todas as cores do mundo. Fico querendo segurar no abraço e mesmo assim fazer sentir livre.

Me dá a mão? Quero te mostrar o verde dos caminhos amarelos.
Conta estrelas comigo? Eu sei que são muitas e que não poderão ser contadas numa só noite, mas te dou todo o tempo que quiser, quantas noites forem necessárias. Se acabarem as estrelas dessa nossa galáxia, invento outra, pra gente poder se perder, ou se achar, se melhor for.

Te acompanho em canções e posso até cantar pra ti. Mas tem que ser baixinho, não quero acordar os vizinhos. Prefiro que seja uma canção de ninar, pode ser?

Quero fazer perguntas, mas não preciso de todas as respostas. Quero te contar histórias e dizer que fico inventando motivos pra te mandar carinho.

Mas isso tudo já não é mais novidade, não é?

Tudo bem, eu espero.

quarta-feira, abril 09, 2008

Azul que te sei brilhando

- Alô...

- Desculpe a intromissão, seu moço. Mas preciso te saber.

- Oi?

- É... te preciso saber... me fala alguma coisa de ti, por favor?

- Er... quem ta falando?

- E o que importa, seu moço? Só importa o que quero saber.

- Mas como eu posso saber o que você quer? Não entendo.

- E vê se precisa, lá, entender? Me fala um pouco...

- Falar de quê, criatura? Eu não entendo o que você quer dizer... eu nem sei quem é você.

- Precisa não, seu moço. Precisa saber de nada, não... eu sei que ainda é meio cedo pra dizer que eu sou a Maria, a Ana, a Rosa, a Mathilde... Me fala aí, vai, qualquer coisa. Pode até me chamar do nome que quiser... não tem importância.

- Tá bem, Maria. Só não entendo o que é.

- Me diz... diz que você está bem, que tem se alimentado direitinho e que quando sente frio, a noite, puxa uma cobertinha a mais, ou que tem escovado os dentes pelo menos três vezes ao dia e essas coisas...

- Hum... te digo que sim pra tudo o que me perguntou.

- Onde você está?

- Na minha casa, ué. Você não ligou pra cá?

- Liguei... mas, tem alguma janela aberta?

- Olha, Maria, Ana ou sei lá o quê... você está me deixando com medo.

- Ah... medo é bom, às vezes... medo solta aquela coisa chamada adrelina... a gente fica mais pilhado do que já é, sabia?

- Sa-b-b-bia...

- Não fique com medo não... só quero te contar uma coisa, já que você não me quer contar nada.

- O quê?

- Primeiro me diz se tem janela aberta aí. Aqui tem.

- Tá bem, tem janela aberta aqui, sim.

- Você ta vendo os espiões?

- Olha, não sei quem você é, mas essa brincadeira já está passando dos limites. Vou desligar!

- Não! Espera!

- Fala...

- Tem espiões aqui também... estão olhando pela janela e acho que de onde eles estão, eles conseguem te ver também.

- Ah, tá bom. Eu nem sei onde você está. Quem são e onde estão esses espiões?

- Tem milhares, moço. Estão grudados num azul.

- Ah... você está de sacanagem, né?

- Não!! Pode olhar... vá olhar pro céu. Eu mandei as estrelas olharem pra você enquanto eu não te posso ver.

- Quem ta falando, hein?

Tu tu tu tu tu

- Alô? Maria? Alô! Ana? Mathilde? Rosa? Maria? Alô!!

sábado, abril 05, 2008

Diálogo

- Tá, Gabriela... mas o quê que tinha lá?
- Ah... nada de mais.
- Não teve nenhuma bandinha tocando ou algo assim?
- Nem...
- Então?
- Ah... tinha um sofá bom, música boa, amigos bons, cerveja boa, papos bons, risadas boas...
- ...

terça-feira, março 25, 2008

Tua vez

Pára e senta. Tu tens histórias pra me contar, não tens?

domingo, março 23, 2008

Querer

Te quero
de viver
assim
por dentro

e fora
de mim

(em mim)

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Alguma troca

Eu nem queria admitir isso, mas eu desisto. De que adianta ficar querendo alguma coisa que não pode acontecer? Fiquei horas pensando, repensando e revendo o que aconteceu comigo depois disso tudo. E tu, ainda, tiveste a audácia de me perguntar "isso tudo o quê?" quando eu fui tentar conversar. Eu não deveria querer te jogar fora, mas se tu preferes assim, eu abro os braços, me solto do teu abraço e te deixo cair, já que quem quebrou fui eu.
Não vou dizer o que tu deverias fazer ou deixar de fazer. Já estás bem crescidinho, né? Não tenho dúvidas que "conselhos" meus não seriam bem vindos. Afinal, eu sou tão novinha ainda, tão jovem que você nem me escutaria. Deverias ter ensinado mais. Você perdeu a paciência de ensinar muito rápido e eu perdi a de querer aprender (contigo, óbviamente).
Mas eu sei que eu vou ficar bem, porque se tu vais ficar bem ou não é uma coisa que não me interessa nem um pouquinho. Até doeu quando eu te falei, doeu muito e aqui dentro de tudo. E essa dor não se explica. Tomara que tu nunca tenhas que sentir uma dor assim.
Também não te desejo sorte. Não te desejo nada. A escolha foi minha, eu sei, mas quem primeiro desdenhou não fui eu. E se no meio desse caminho tu te perderes, azar. Não vai ser a minha mão que vai estar lá pra te guiar.

Quer saber? Cansei.